Publicado em 12/08/2019 às 15h46.

Período de seca atinge mais de 36 mil pessoas em Vitória da Conquista e Maetinga

O bahia.ba conversou com os coordenadores de Defesa Civil dos municípios; governo do Estado decretou situação de emergência durante 180 dias

Marina Aragão
Foto: Reprodução/Agência Brasil
Foto: Reprodução/Agência Brasil

 

Os municípios de Vitória da Conquista e Maetinga, no sudoeste baiano, tiveram situação de emergência decretada pelo governo, no último sábado (10), em decorrência do período de seca que atinge as cidades.

De acordo com os coordenadores de Defesa Civil, mais de 36 mil pessoas são afetadas pela estiagem nas duas regiões. O decreto de emergência do governo vale por 180 dias.

Vitória da Conquista está há seis meses sem chuva

“O panorama é o pior possível em relação ao município”, foi o que disse o chefe da Defesa Civil de Vitória da Conquista, Ubaldino Figueiredo. De acordo com ele, os reservatórios e açudes que ficam próximos à região estão secos. A última chuva caiu no dia 17 de fevereiro deste ano, ou seja, a cidade está há quase seis meses sem água pluvial.

O coordenador relatou que a situação se complica pois o município vem arcando com recursos próprios para abastecer a comunidade, com 14 carros contratados pela Prefeitura e 16 da Operação Pipa – iniciativa do governo federal.

De acordo com Figueiredo, esse contingente não tem sido suficiente para atender 311 localidades, 16 assentamentos e 12 distritos da região de Vitória da Conquista. Mais de 32 mil pessoas estão sofrendo com a falta de água no município.

O coordenador citou a existência de sistemas simplificados de abastecimento de água, que poderiam ajudar a amenizar a situação. Entretanto, esse mecanismo não garante a potabilidade exigida para a população.

“Mesmo que tenhamos alguns sistemas simplificados, a água não serve para o consumo humano. O ideal é que tivéssemos dessalinizadores para tratá-la, mas é um processo muito oneroso”, explicou.

Figueiredo informou que o Município já solicitou mais carros-pipa ao governo federal. Em relação ao do Estado, o reconhecimento da emergência significa que as cidades afetadas receberão recursos para reduzir os impactos da estiagem.

“Se não chover no mês de outubro e novembro, nós estaremos numa situação muito complicada a partir de dezembro”, lamentou.

População está sendo abastecida com água imprópria em Maetinga

Com a estiagem e a escassez nos reservatórios de Maetinga, outro problema vem à tona: a disponibilização de água não apropriada para consumo humano.

O coordenador da Defesa Civil, Valter Amorim, afirmou que água de poços artesianos é utilizada para abastecer a população como medida de urgência. “A água não é de qualidade, não é totalmente apropriada para consumo, mas a gente precisa agilizar o atendimento”, diz.

Segundo ele, a situação está difícil porque as chuvas dos últimos meses não foram suficientes para abastecer satisfatoriamente os reservatórios municipais. As barragens estão quase ou totalmente secas.

Amorim informou que quatro reservatórios pequenos, cuja capacidade não chega a 100 mil m³ (1 milhão de litros), atendem parte das famílias do município. Para abastecer a zona rural e o restante da cidade, caminhões-pipa captam água da Barragem de Anagé, distante 55 km de Maetinga.

De acordo com o coordenador, a fim de tentar solucionar o problema, a Operação Água Potável está em curso. Quarenta e oito localidades começarão a ser atendidas, ainda esta semana, pela iniciativa. Caminhões-pipa, abastecidos em Anagé, vão abastecer comunidades que não têm acesso fácil à água potável e necessitam do serviço.

Outro município que teve situação de emergência decretada pelo Governo do Estado foi Ibicaraí, no sul baiano. Nesse caso, porém, o problema são os deslizamentos de terra que atingem casas e famílias na cidade.

O bahia.ba entrou em contato com a prefeitura para ouvir a Defesa Civil de Ibicaraí. No entanto, não obtivemos retorno até o fechamento desta publicação.

PUBLICIDADE