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Publicado em 26/02/2026 às 09h07.

Tiroteios em operações policiais em Salvador e na RMS bate recorde, aponta Instituto

Instituto fogo cruzado registou cerca de 1.505 tiroteios entre a capital baiana e a região metropolitana

Heber Araújo
Foto: Mateus Pereira/ GOVBA

 

A participação policial em tiroteios bateu recordes em 2025, conforme revelou o Instituto Fogo Cruzado, divulgado nesta quinta-feira (26). Segundo o levantamento, só em Salvador e na Região Metropolitana (RMS) foram cerca de 1.505 ocorrências de disparo de armas de fogo, sendo 44% registrados durante Operações Policiais, totalizando 662 casos.

Apesar dos números representarem uma diminuição em disparos de arma de fogo em comparação a 2024, quando foram registrados 1.795 tiroteios, os registros feitos em confrontos envolvendo policiais foram os maiores da série histórica. No ano anterior, foram apontadas 681 ocorrências, somando 38% dos casos.

Em 2025, cerca de 1.525 pessoas foram baleadas, sendo que 605 foram baleadas durante alguma ação policial, o que indica que 40% das vítimas baleadas estavam em algum contexto envolvendo troca de tiros com a polícia. Do total de vítimas atingidas por disparos, 1.212 morreram em decorrência dos ferimentos.

“A Bahia insiste na letalidade policial como política de Estado. Não se trata de excessos pontuais, mas de uma estratégia que aposta no confronto permanente, mesmo diante de evidências de que esse modelo amplia a violência e não reduz o poder das organizações criminosas”, disse a coordenadora regional do Instituto.

Em atuações policiais classificadas como chacinas, 2025 registrou 95 casos, um salto em comparação ao ano anterior, que havia identificado 55 casos. Um aumento de 82% em um intervalo de um ano. Entre os registros do instituto, as operações das Rondas Especiais apareceram em 52% do período analisado.

Impactos na educação

De acordo com o levantamento, cerca de 252 escolas foram impactadas devido aos tiroteios que ocorreram no entorno das unidades de ensino. Nessas escolas, as aulas foram suspensas a fim de evitar expor os alunos e profissionais a algum perigo.

Os principais registros foram feitos em escolas onde a população é majoritariamente negra, como os bairros Fazenda Coutos, Rio Sena, Moradas da Lagoa, Pero Vaz, Calabetão, Lobato e Chapada do Rio Vermelho, que registraram 5% dos casos. Contrastando em bairros de maioria branca como Itaigara, Graça, Caminho das Árvores, Canela, Pituba, Barra e Patamares registram somente 0,3%.

“Quando a polícia atua como principal agente dos tiroteios no entorno de escolas, o Estado passa a figurar como um ator direto no cenário de insegurança. É uma política com características sociogeográficas bem definidas. Há um impacto avassalador sobre o futuro de crianças e adolescentes, sobretudo negros e pobres, que têm suas rotinas interrompidas pela violência armada”, completou Tailane.

Heber Araújo
Formado em jornalismo pela Unijorge e pós-graduado pela Faculdade Olga Mettig, exerce a função de repórter de Política no bahia.ba. Anteriormente, teve passagem pelo Muita Informação e pelo BNews. Também já atuou como assessor de imprensa para a prefeitura de Salvador e ONGs.

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