Publicado em 21/09/2020 às 07h43.

Damares agiu para impedir aborto de menina de 10 anos, diz jornal

Servidores da pasta da ministra tentaram convencer conselheiros tutelares e são suspeitos de vazar nome da criança

Redação
Foto: Twitter/ Arquivo Pessoal
Foto: Twitter/ Arquivo Pessoal

 
A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, agiu nos bastidores para impedir que a criança de 10, que foi estuprada por quatro anos pelo tio e acabou grávida, passasse pelo procedimento de aborto legal em Recife (PE), conforme aponta reportagem do jornal Folha de São Paulo.

De acordo com a Folha, Damares, que manteve silêncio público sobre o caso até a sua conclusão, agiu com o objetivo de tentar transferir a menina de São Mateus (ES), onde morava, para um hospital em Jacareí (SP), para que desse segmento à gestação e tivesse o bebê.

Ainda conforme a publicação, a ministra enviou representantes do seu ministério e aliados políticos para que convencessem a equipe médica a retardar o processo de interrupção da gravidez, como oferecendo benfeitorias no conselho tutelar.

Damares teria participado de reuniões via chamada de vídeo para tentar persuadir a equipe médica. O jornal disse ainda que os mesmos representantes enviados pela ministra seriam os responsáveis por vazar o nome da criança para a ativista Sara Giromini, que divulgou, ilegalmente, nas redes sociais.

A exposição da menina atenta contra o Estatuto da Criança e do Adolescente e fez da família da vítima alvo de ameaças e pressão.