.
Publicado em 18/02/2026 às 01h38.

MV Bill exalta diversidade cultural e conexão social com Salvador

Cantor destaca força do rap na folia baiana e união com projeto sociocultural do Nordeste de Amaralina

João Lucas Dantas
MV Bill
Foto: Ítalo Ribeiro/ bahia.ba

 

O rapper carioca MV Bill marcou presença no Carnaval Largo do Pelourinho, em Salvador, nesta terça-feira (17), à convite do projeto Quabales e destacou a importância de ocupar o palco em um dia dedicado ao rap dentro da maior festa popular do país.

Para o artista, se apresentar no Centro Histórico da capital baiana tem um significado especial. “Bate muito diferente. É um tipo de evento que, sem me expressar mal em lugar nenhum, só pode acontecer na Bahia. É o único lugar que tem essa diversidade cultural que pode fazer com que, dentro de um espaço que é totalmente dedicado ao Carnaval, tenha também a parte democrática, onde você pode ter outros ritmos envolvidos”, declarou ao bahia.ba.

Durante a entrevista, o músico ressaltou que, mesmo em um dia voltado ao rap, sua música dialoga com outras sonoridades e que essa junção acontece de forma natural por conta das conexões construídas ao longo dos anos.

“No nosso caso, apesar de ser um dia voltado para o rap, a minha música dialoga muito com a música do Quabales. E essa junção a gente consegue fazer porque a gente tem uma conexão, não é somente musical, mas também é uma conexão familiar.”

O rapper lembrou ainda da amizade de longa data com artistas baianos. “Eu conheço o Marivaldo (Dos Santos), idealizador do projeto, há uns 20 anos, mais ou menos. A gente sempre sonhou em fazer alguma coisa juntos. Chegamos a gravar um som juntos chamado A Favela Cotidiano, mas a oportunidade de mostrar isso tudo ao vivo a gente está tendo agora. E isso não poderia ser em outro lugar que não fosse em Salvador, na Bahia”, celebrou Bill.

Além da música, o artista destacou a importância da atuação social e cultural desenvolvida nas comunidades, como acontece com o Quabales, que desenvolve ações socioeducativas em Salvador por meio da música e da percussão, promovendo formação artística, fortalecimento comunitário e inclusão de jovens do bairro do Nordeste de Amaralina.

“Eu fui visitá-los lá na sede no Nordeste. A gente foi ensaiar. Então é muito mais do que fazer música. Fazer arte é uma coisa muito boa, mas é conhecê-los, conhecer seu berço, onde eles trabalham, onde estão no dia a dia”, pontuou.

Para o rapper, o trabalho realizado no bairro é exemplo de transformação por meio da arte.

“Eu conheço bem o Nordeste de Amaralina, já fui lá várias vezes e sei que eles têm uma forma de ajudar a diminuir a violência do local trabalhando com arte. Então muita coisa que eles fazem lá acho que deveria ser exemplo para outras pessoas que são autoridade e não conseguem enxergar o diamante que eles conseguem lá dentro”, acrescentou.

MV Bill concluiu demonstrando gratidão por integrar esse processo coletivo. “Eu sou muito grato de estar fazendo parte disso, de olhar o trabalho deles de perto e conseguir, de uma forma bem singela, dar uma contribuição para o trabalho bonito que eles fazem”.

 

MV Bill e Quabales
Foto: Ítalo Ribeiro/ bahia.ba

A união entre Quabales e o rap

Idealizador do Quabales, Marivaldo dos Santos também celebrou a parceria no palco do Pelourinho. Segundo ele, a conexão com MV Bill ultrapassa a música e tem bases familiares e sociais.

“Essa parceria é muito especial, como eu falei no palco, é uma parceria familiar. Eu já conheço o Bill há muitos anos, a gente sempre troca mensagens, e eu acho que hoje aqui uma coisa muito legal é você fazer a sua própria música, dar a sua própria mensagem, mas num momento de Carnaval. Então significa que as pessoas querem ouvir outras coisas, até coisas que não estão acontecendo”, pontuou ao bahia.ba.

Para Marivaldo, a apresentação conjunta simboliza mais do que um encontro artístico.

“Pra gente, estar hoje aqui, essa junção musical é uma mensagem de amor. É uma transmissão de coisas boas e eu acho que essa combinação de Quabales e MV Bill não poderia ter sido melhor, uma união de artista que tem uma parte familiar e fazer isso com a potência musical do rap”, concluiu.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba. DRT: 7543/BA

Mais notícias

Este site armazena cookies para coletar informações e melhorar sua experiência de navegação. Settings ou consulte nossa política.