Publicado em 31/03/2016 às 13h40.

Meta da inflação deve superar projeção, aponta BC

Conforme previsão, a inflação oficial deve girar entre 6,6% e 6,9%, acima do teto de 6,5% estabelecido pelo sistema de metas do Banco Central, pelo 2º ano consecutivo

Ivana Braga
Mercado prevê mais inflação para 2016 (Foto Agência Brasil)
Mercado prevê mais inflação para 2016 (Foto Agência Brasil)

 

A inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve ficar entre 6,6% e 6,9% neste ano, segundo estimativa divulgada pelo Banco Central.

Com isso, deverá ficar, pelo segundo ano seguido, acima do teto de 6,5% determinado pelo sistema de metas de inflação do Banco Central. Em 2015, a inflação somou 10,67%, maior taxa desde 2002.

Para o ano de 2017, a autoridade monetária estimou que a inflação ficará entre 4,9% e 5,4% – ficando, deste modo, abaixo do teto de 6% do sistema de metas fixado para aquele ano, mas não atingindo, ainda, o objetivo central de 4,5%.

No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do primeiro trimestre deste ano, divulgado nesta quinta-feira (31), o BC prevê ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) deve “encolher” 3,5% em 2016.

Ainda sobre a inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) avalia que foram afetadas, ainda que em menor grau, pelo nível elevado da inflação corrente, pela dispersão de aumentos de preços, pelos efeitos residuais do processo de ajuste de preços relativos observado em 2015 e pelas incertezas quanto ao processo de recuperação dos resultados fiscais.

“Esses fatos constituem claro e importante sinal sobre a deterioração recente do balanço de riscos da economia, e demandam monitoramento para definição dos próximos passos na estratégia de política monetária”, afirma.

Se confirmado este cenário, será a segunda retração seguida da economia brasileira, que já despencou 3,8% ao ano, a maior queda em 25 anos. Dois anos seguidos de recuo do PIB não acontecem desde o início da série histórica do IBGE – em 1948.

Ajuste Fiscal – O RTI reforça a necessidade e tempestividade de ajuste fiscal. “Considerando que o ajuste fiscal também possui suas próprias defasagens entre a discussão e a adoção das medidas e seus resultados, quanto mais tempestiva for a implementação do processo em curso, mais rápida será a retomada de uma trajetória favorável para a dívida pública e para a confiança de famílias e empresas”, aponta.

Na avaliação do Copom, a geração de superávits primários contribui para criar uma percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo, diminuindo o custo de financiamento da dívida pública. “Além disso, uma política fiscal mais contida repercutirá favoravelmente sobre o custo de capital de modo geral, o que, por sua vez, estimulará o investimento privado no médio e no longo prazo”, diz o texto.

O BC considera que os resultados fiscais têm ocorrido em velocidade inferior à inicialmente prevista e avalia como fundamental que seja mantida a determinação para a retomada de resultados primários positivos que, gradualmente, atinjam magnitude suficiente para estabilizar e, posteriormente, reduzir a trajetória do endividamento público como proporção do PIB.

Negociações salariais – O RTI repetiu que um dos mecanismos que favorecem a persistência da alta de preços deriva da possibilidade de as negociações salariais atribuírem peso excessivo à inflação passada, em detrimento da inflação futura.

Desta forma, pontua a diretoria do BC, a dinâmica salarial permanece originando pressões inflacionárias de custos, não obstante o processo de distensão em curso no mercado de trabalho e a ocorrência de variações reais de salários mais condizentes com as estimativas de ganhos de produtividade do trabalho.

A autoridade monetária observa que a margem de ociosidade no mercado de trabalho encontra-se elevada, mas pondera a possibilidade de concessão de elevados aumentos de salários nominais também ter repercussões negativas sobre a percepção de sustentabilidade do balanço consolidado das contas do setor público.

“Neste ponto, cumpre registrar que a teoria – no que é respaldada pela experiência internacional – ensina que moderação salarial constitui elemento-chave para a obtenção de um ambiente macroeconômico com estabilidade de preços”, completa o documento

Para o BC, o cenário central contempla inflação ainda elevada, em decorrência do processo de ajustes de preços relativos ocorridos em 2015, bem como do processo de recomposição de receitas tributárias observado nos níveis federal e estadual, no início deste ano, combinada com ritmo de expansão da atividade inferior ao inicialmente previsto. São ainda aspectos relevantes, segundo o relatório, os impactos nos preços dos ativos de incertezas quanto ao processo de recuperação dos resultados fiscais e sua composição, “especialmente após novo rebaixamento, em fevereiro, da nota de crédito dos títulos soberanos brasileiros por uma agência de avaliação de risco”.

Cenário Internacional – A autoridade monetária destaca que, desde o Relatório anterior, a atividade global mostrou tendência de maior moderação ao longo do horizonte relevante para a política monetária. “A esse respeito, as evidências apontam taxas de crescimento mais modestas e abaixo do crescimento potencial nas economias maduras” diz.

O BC ressalta ainda as incertezas quanto aos desdobramentos da perda de dinamismo na China e suas implicações para a economia mundial. “Nos mercados internacionais, as perspectivas indicam moderação na dinâmica dos preços de commodities”, avalia. (Com informações do G1 e Agência Estado)