Cade aprova união dos cinco maiores bancos para criar bureau de crédito
Gestora de inteligência de crédito (GIC) vai concorrer diretamente com Serasa Experian, Boa Vista SCPC e SPC Brasil, atuando tanto no cadastro positivo como negativo

Os cinco maiores bancos no país – Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Itaú e Santander – estão autorizados a criar um bureau de crédito, que atuará no fornecimento de serviços sobre informações de adimplência e inadimplência de pessoas físicas e empresas. Nesta quarta-feira (9), o plenário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, por maioria dos conselheiros, a união dos bancos para criar a gestora de inteligência de crédito (GIC) para auxiliar em decisões sobre concessão de crédito.
A gestora concorrerá diretamente com as empresas Serasa Experian, Boa Vista SCPC e SPC Brasil, atuando tanto no cadastro positivo (de adimplentes) como negativo (de inadimplentes).
Em setembro, a Superintendência-Geral do Cade recomendou ao tribunal do órgão a aprovação da união entre os bancos, condicionada à celebração de um acordo de controle de concentrações (ACC). O objetivo do acordo é evitar que a atuação da gestora de inteligência leve outras empresas a fechar. Para o Cade, sem o acordo a integração poderia propiciar a prática de condutas anticompetitivas, como a discriminação no acesso a informações geradas pelos bancos aos bureaus de crédito existentes no mercado, além da discriminação do acesso de bancos concorrentes aos serviços do novo bureau.
O acordo estabelece o compromisso dos cinco bancos em continuar contratando as empresas de informação de crédito atuantes no mercado, não compartilhar estrutura com a empresa a ser criada, ter metas de adesão ao cadastro positivo e o monitoramento da gestora por auditoria independente.
A conselheira Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt divergiu do relator Paulo Burnier da Silveira ao sugerir que a autorização para a gestora de inteligência ter acesso às informações dos clientes valeria também para as demais empresas atuantes no mercado. O objetivo da medida seria evitar que os bancos, com maior acesso a clientes, induzissem os consumidores a fazer o cadastro somente na gestora. Mas ela lembrou que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) é contra essa proposta, por entender que o consumidor não teria o direito de escolher. Para a conselheira, o consumidor poderia posteriormente pedir a retirada dos seus dados dos cadastros das empresas que não quisesse. Mas a proposta foi rejeitada pela maioria dos conselheiros.

Para Cristiane, também não seria necessário um acordo de controle, mas a aprovação, com restrições, do ato de concentração dos bancos, com previsão de um comitê de monitoramento formado pelas empresas concorrentes, até que fosse definido um regulador do setor, que ela sugeriu ser o Banco Central.
Outra sugestão da conselheira é estabelecer metas para a gestora de inteligência de crédito conseguir também adesão de clientes aos demais bureaus de crédito. O conselheiro João Paulo de Resende concordou com a ideia de definir metas e sugeriu ainda impedir a gestora de atuar por sete anos no cadastro negativo, atualmente ramo de maior atuação das empresas do setor. Entretanto, os demais conselheiros votaram com o relator pela aprovação do ato de concentração com o acordo de controle de concentrações.
Mesmo com a Lei do Cadastro Positivo desde 2012, as empresas ainda não conseguiram desenvolver o proposta plenamente. Segundo lembrou a conselheira, atualmente são 10 milhões de consumidores dos cerca de 120 milhões que poderiam aderir ao cadastro positivo. Em 2011, lembrou ela, a previsão era chegar a 40 milhões.
Para os conselheiros do Cade, apesar dos riscos para a concorrência do setor, a criação da GIC vai estimular o cadastro positivo devido ao maior acesso dos bancos aos clientes. A advogada dos bancos Barbara Rosenberg defendeu que a criação da GIC vai aumentar a competição no mercado e o crédito. “Mais informação sobre o crédito no mercado e sobre a situação dos consumidores tende a levar à redução do custo do crédito”, disse. Ela acrescentou que ao reduzir as taxas de juros dos bons pagadores, será ampliada a oferta de crédito.
Mais notícias
-
Economia22h00 de 06/01/2026
Balança comercial registra recorde em dezembro, mas fecha 2025 com recuo no superávit
No acumulado do ano passado, Brasil alcançou recordes históricos tanto em vendas quanto em compras externas
-
Economia16h24 de 06/01/2026
Bahia cria mais de 270 mil empregos em dois anos; Salvador lidera recorte municipal
O setor de Serviços foi o principal responsável pela geração de empregos
-
Economia22h00 de 05/01/2026
Mercado reage com otimismo e dólar recua para R$ 5,40 após eventos na Venezuela
No mercado de ações, o otimismo foi ainda mais evidente; veja
-
Economia18h37 de 04/01/2026
Aposentadoria em 2026: veja o que muda nas regras de transição do INSS
Idade mínima e sistema de pontos sofrem novos ajustes previstos na reforma da Previdência
-
Economia18h56 de 02/01/2026
Contribuição mensal do MEI sobe para R$ 81,05 a partir deste mês
Atualização do valor é obrigatória e válida para todos os estados brasileiros
-
Economia12h57 de 02/01/2026
Atividade industrial do Brasil volta a cair em dezembro, aponta PMI
Foi a terceira retração seguida do indicador, chegando a 47,6 ponto percentual
-
Economia10h17 de 02/01/2026
Dólar abre primeira sessão do ano em queda
Moeda mantêm tendência de 2025 em pregão com agenda esvaziada
-
Economia10h23 de 01/01/2026
Nova faixa de isenção de IR entra em vigor nesta quinta-feira; veja o valor
Cerca de 15 milhões de brasileiros serão beneficiados com medida
-
Economia09h23 de 01/01/2026
Contribuição mensal do MEI sobe em 2026; veja os novos valores
Pagamento é feito através do DAS e cálculo é feito com base no salário mínimo
-
Economia06h34 de 01/01/2026
Novo salário mínimo começa a valer nesta quinta-feira (1º); confira o valor
Reajuste é de 6,79% em relação ao piso anterior










