Publicado em 14/07/2020 às 16h57.

Economia terá desafios no terceiro trimestre, destaca diretor do Sinduscon-BA

Obras seguem sendo tocadas e vendas iniciaram recuperação, mas efeito do fim das medidas emergenciais preocupa

Adriano Villela
Foto: divulgação Sinduscon-BA
Foto: divulgação Sinduscon-BA

 

O setor da construção civil na Bahia está otimista, pois continuou operando no primeiro semestre, mas mantém cautela “em função dos desafios que a economia terá pela frente”, segundo avaliação feita ao bahia.ba pelo diretor de Relações Institucionais do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA), Carlos Henrique Passos.

Segundo o executivo, as obras públicas operaram praticamente na normalidade até junho, enquanto o setor imobiliário sentiu os efeitos da pandemia mais nas vendas. Em março, a queda na comercialização das unidades teve média de 60%. Em abril, o cenário piorou – cerca de 70% de recuo -, mas o segmento sentiu uma recuperação nos dois meses seguintes. “Junho foi o nosso melhor mês de vendas em 2020”, avaliou.

Carlos Henrique Passos manifestou ao bahia.ba uma preocupação maior com o terceiro trimestre do ano. “As medidas emergenciais começam a ser desligadas ou pagas”, argumentou, referindo-se aos impostos, além de FGTS e contribuição do INSS, que foram prorrogados. A paralisação de lançamentos imobiliários – projetos que costumam precisar de quatro a cinco anos de maturação – também preocupa. “Nos lançamentos, se você quebra a sequência terá problemas lá na frente”, advertiu.

Retomada

Carlos Henrique avalia que muitos negócios e empregos podem ser gerados na reabertura da economia se o país enfrentar carências que a pandemia expôs de forma mais acentuada, principalmente saneamento e habitação. Um ponto positivo neste aspecto, opinou ele, é o marco legal do saneamento (projeto de lei 4.162/2019), aprovado pelo Congresso e a espera de sanção pelo presidente Jair Bolsonaro.

O executivo defende que investir no equacionamento deste gargalo resolve um problema social antigo e impacta na geração de negócios e emprego em outras áreas. “Muitas vezes o investimento em habitação não acontece por falta de uma solução de sanemaento”, frisa. A indústria da construção emprega 2,1 milhões de pessoas na Bahia mas já mobilizou 3,1 milhões no auge, no começo da década.