Indústria quer ‘ações reais’ na economia
No setor de infraestrutura falta, por exemplo, a definição das poligonais dos portos para saber onde podem ser instalados os terminais privados

Definido o quadro político no país, a indústria espera avanços rápidos na agenda econômica do governo federal, com medidas que melhorem o ambiente de negócios. “Estamos num processo de recuperação, que será lento”, disse o diretor de Políticas e Estratégia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Augusto Coelho Fernandes. “A partir da definição do impeachment, precisaremos de ações reais para a economia.”
Com mais rapidez na adoção de medidas, acredita ele, o governo conseguirá consolidar a incipiente “virada” na atividade econômica. Em junho, o faturamento da indústria cresceu 2%, depois de três meses em queda, segundo dados da CNI. “Mas o jogo não está ganho”, alertou ele.
Foi com essa mesma expectativa que grupos de empresários estiveram semana passada com o presidente em exercício, Michel Temer. As prioridades, apontadas por eles e confirmadas pelo próprio governo federal, são a fixação de um teto para o crescimento dos gastos públicos e a reforma da Previdência Social.
No entanto, há muito o que fazer no curto prazo para “destravar” a atividade econômica e os investimentos sem esbarrar no problema das contas públicas. A CNI mapeou 119 propostas de medidas com impacto zero no caixa federal. Alguns pontos coincidem com as prioridades do governo.
Um deles é a aprovação, pela Câmara dos Deputados, da lei que acaba com a exclusividade da Petrobrás como operadora dos campos de exploração do pré-sal. Ela abriria espaço para a retomada dos leilões de concessão e dos investimentos nessa área.
No setor de infraestrutura falta, por exemplo, a definição das poligonais dos portos – que são uma definição sobre os limites físicos dos portos públicos e, portanto, onde podem ser instalados os terminais portuários privados. “Tem investimentos em terminais já prontos, só aguardando isso”, disse o executivo. O governo ainda não definiu as poligonais de portos importantes, como o de Santos (SP), Rio de Janeiro e Rio Grande (RS).
À margem do problema fiscal estão também as mudanças nas relações de trabalho, já incluídas na agenda do governo. “Entre elas, é possível destacar a atualização da legislação trabalhista, ajustando o regime de trabalho à realidade das empresas, inclusive as normas de segurança no trabalho”, informou ao Estado o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira.
O ministro pretende também valorizar as negociações coletivas. Outras medidas citadas pelo ministro são a simplificação dos procedimentos aduaneiros, o aumento da eficiência do sistema regulatório e a negociação de novos acordos comerciais.
“Existe uma agenda microeconômica que vamos tocar de forma paralela à fiscal”, disse o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida. Ela envolve, por exemplo, uma nova legislação para agências reguladoras e para as concessões, ambas em tramitação no Congresso.
Multas- Passa também pela revisão dos índices de nacionalização exigidos nos investimentos no setor de petróleo e uma discussão sobre o que fazer com as empresas que assumiram esses compromissos e não cumpriram, ficando sujeitas a multas que somam R$ 90 bilhões, segundo estimativas do setor. Outro ponto é o financiamento de projetos em infraestrutura pelos bancos públicos.
“O grande objetivo da agenda microeconômica é aumentar a produtividade, que determina a capacidade de crescer no longo prazo”, explicou o secretário. “Nos últimos sete anos, não é que essa agenda não andou; ela piorou ano a ano, com as intervenções do governo”, afirmou ele.
Primeira marcha- Para o ministro Marcos Pereira, a indústria brasileira já engatou uma primeira marcha. “A crise da indústria está perdendo força e já podemos falar em recuperação”, afirmou ele. “O segmento de bens de capital, por exemplo, já apresentou variações positivas durante todos os meses deste ano.”
É também a opinião do economista-chefe da corretora Tullett Prebon, Fernando Montero. E ele vê sinais de que o varejo vai na mesma direção. Ele espera ainda um impacto da definição do quadro político. “Um cenário menos incerto pode destravar alguns investimentos represados nos últimos meses”, comentou.
Já o economista Rafael Cagnin, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), acredita que é ainda cedo para dizer se os dados positivos da atividade industrial configuram uma tendência. “Ainda há interrogações”, disse ele. A principal delas é o comportamento do dólar.
Mas, depois da forte retração de 8,2% registrada em 2015, os dados atuais são “um alento” e permitem projetar, para este ano, uma queda menos forte, na casa de 6,5% a 7%. O economista apenas enxerga alguma chance de crescimento econômico a partir de 2017.
Mais notícias
-
Economia19h00 de 18/03/2026
Banco Central reduz juros básicos para 14,75% ao ano
A decisão foi tomada por unanimidade pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (18)
-
Economia13h42 de 18/03/2026
Governo propõe corte no ICMS do diesel para conter alta nos preços
União oferece pagar metade do prejuízo dos estados para garantir abastecimento e evitar impacto da guerra no valor do combustível.
-
Economia11h19 de 18/03/2026
Economia brasileira deve crescer de forma moderada em 2026
Especialista aponta desaceleração do mercado de trabalho, pressão fiscal e impacto dos juros elevados
-
Economia08h49 de 18/03/2026
Congresso Nacional promulga acordo Mercosul-União Europeia
Era a última etapa para acordo entrar em vigor no Brasil
-
Economia21h00 de 16/03/2026
Dólar cai 1,6% e fecha em R$ 5,23 com alívio externo
Apesar da queda nesta segunda, o dólar acumula alta de 1,87% em março
-
Economia17h58 de 16/03/2026
Endividados têm até 31 de março para renegociar débitos com bancos
A iniciativa permite renegociar débitos em atraso com diferentes alternativas oferecidas pelas instituições
-
Economia17h09 de 16/03/2026
Governo divulga calendário de pagamento de restituições do Imposto de Renda; confira
Veja quem deve realizar a declaração
-
Economia16h49 de 12/03/2026
Diesel e gasolina sofrem reajustes em Salvador; confira os novos valores
De acordo com a Acelen, os valores praticados seguem uma política baseada em parâmetros de mercado
-
Economia12h38 de 12/03/2026
Lula anuncia corte de impostos sobre diesel e alivia preços
Redução de PIS e Cofins representa queda de R$ 0,32 por litro
-
Economia20h40 de 11/03/2026
Dólar estabiliza após agência liberar reservas de petróleo para conter crise
Pressão inicial sobre a moeda estadunidense foi motivada por ataques a cargueiros no Estreito de Ormuz








