Presidente do BC diz que subsídios podem amenizar preços para os mais pobres

    Segundo Roberto Campos Neto, alimentos e energia poderiam ter ajuda temporária

    Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

    O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, defendeu, nesta quarta-feira (1) em videoconferência com instituições financeiras internacionais, que a melhoria da arrecadação decorrente da alta global de preços poderia ser usada para subsidiar temporariamente itens como alimentos e energia e afirmou que essas medidas poderiam amenizar o custo social da inflação sobre a população de menor renda. As informações são da Agência Brasil.

    Para Campos Neto, nem sempre a dinâmica do mercado pode corrigir choques de preços causados por eventos externos. Ele, no entanto, defendeu que ajudas como subsídios sejam apenas provisórias e evitem criar gastos permanentes que prejudiquem as contas públicas no futuro.

    “Temos um grande custo social. Preços de alimentos estão subindo, preço da energia está subindo, e temos a parcela mais pobre da população com necessidade de alguma assistência. Transferir uma parte do choque positivo [aumento de arrecadação] para resolver as questões sociais, via subsídios. Essa é uma solução boa, mas o problema é: uma vez que você cria os subsídios, há o risco de se tornar um gasto permanente”, declarou Campos Neto.

    Para o presidente do BC, as exportações recordes de grãos e de petróleo estão beneficiando o Brasil e impulsionando a arrecadação do governo. Desde o segundo semestre de 2020, as commodities (bens primários com cotação internacional) têm se valorizado. Com o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro deste ano, as cotações subiram ainda mais e atingiram os maiores níveis em quase 20 anos.