Publicado em 25/01/2020 às 13h20.

TCU dá prazo de 20 dias para BNDES explicar auditoria milionária

As explicações seriam sobre o aumento do valor da auditoria para abrir a "caixa-preta" das operações do banco com as empresas do grupo J&F

Redação
Foto: Arquivo/Agência Brasil
Foto: Arquivo/Agência Brasil

 

O Tribunal de Contas da União (TCU) deu um prazo de 20 dias ao BNDES para dar explicações sobre o aumento do valor da auditoria contratada para abria a “caixa-preta” das operações do banco com as empresas do grupo J&F, que custou R$ 48 milhões após dois aditivos.

O caso pode se tornar alvo de fiscalização específica na Corte de Contas, já que o Ministério Público junto ao TCU entrou com a representação do pedido de verificação do pagamento ao Cleary  Gottlieb Steen & Hamilton, escritório contratado para realizar os serviços de auditoria.

Mesmo após um ano e dez meses focado em oito operações nas empresas JBS, Bertin e Eldorado Brasil Celulose, a auditoria não apontou nenhuma irregularidade. Contudo, o Ministério Público Federal, em Brasília, apurou que houveram prejuízos de R$ 2 bilhões ao banco em operações com o grupo J&F.

O dados da Operação Bullish mostram desrespeito ao limite de crédito que poderia ser emprestado a JBS e ainda dispensa do recebimento de juros sobre o valor injetado na empresa.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o atual presidente do banco, Gustavo Montezano, tem sido pressionado pela diretoria e pelo conselho de administração do BNDES a dar uma resposta sobre a auditoria contratada para desvendar a suposta caixa-preta das operações feitas entre 2005 e 2018.

O ex-presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, responsável pelo início da auditoria, também reforçou o pedido por explicações em carta a Montezano. Segundo o Estadão, o contrato inicialmente previa um custo próximo a R$ 16 milhões. Um dos aditivos foi feito durante a gestão de Dyogo Oliveira no BNDES, no segundo semestre de 2018. Já o último aditivo, de outubro de 2019, foi realizado sob a gestão de Montezano e incrementou em cerca de R$ 15 milhões o valor do contrato.

A revelação do aditivo assinado sob a gestão Montezano causou ainda mais desgaste interno porque o atual presidente, em entrevista em Davos (Suíça), havia tentado jogar a responsabilidade pela auditoria para seus antecessores. A pressão externa sobre Montezano aumentou com os dois movimentos do TCU: o prazo de 20 dias para uma resposta e a representação do MP-TCU, que pode gerar um novo processo específico.

 

 

 

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