Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba.
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Publicado em 04/03/2026 às 17h00.
‘A Noiva!’ tropeça na própria ambição ao revisitar Frankenstein
No novo filme de Maggie Gyllenhaal, nem o Monstro interpretado por Christian Bale salva a plateia do tédio
João Lucas Dantas

A Noiva! é a nova releitura do clássico Frankenstein, de Mary Shelley, dirigida por Maggie Gyllenhaal em seu segundo longa-metragem como cineasta. Conhecida por seu trabalho como atriz em filmes como Batman: O Cavaleiro das Trevas e Donnie Darko, ela ainda parece precisar amadurecer melhor suas ideias quando se trata de ir para trás das câmeras.
Nesta nova repaginada da saga de um dos monstros mais famosos do cinema, que estreia no Brasil nesta quinta-feira (5), o foco recai sobre a personagem da Noiva de Frankenstein, criada em 1935 pelo cineasta James Whale.
Aqui, ela é interpretada pela indicada ao Oscar de Melhor Atriz por Hamnet, Jessie Buckley, que faz par romântico com “Frank”, interpretado pelo sempre excelente Christian Bale (que fez par com Gyllenhaal no Batman citado acima).

A Noiva merecia uma celebração melhor
Na Chicago dos anos 30, Frankenstein pede ajuda ao Dr. Euphronius para criar uma companheira. Eles dão vida a uma mulher assassinada como a Noiva, provocando um romance, despertando o interesse da polícia e desencadeando uma mudança social radical.
O longa escrito e dirigido por Gyllenhaal faz duas horas parecerem a eternidade à qual o monstro de Frankenstein está condenado a viver. Trata-se de uma história original construída sobre clichês já conhecidos e filmados inúmeras vezes ao longo de quase um século.
Parece ainda faltar à diretora a maturidade da experiência que possui como atriz na hora de decidir que tipo de história quer contar.
O filme é um grito feminista, mas também é ficção científica, terror, drama e, em determinado momento, tenta estabelecer uma dinâmica à la Bonnie e Clyde para o casal. No entanto, acaba acertando mais na energia de Coringa e Arlequina do péssimo Esquadrão Suicida (2016).
A obra parece querer ser coisas demais e não sabe exatamente o que abraçar. O resultado é um tom confuso, com constantes mudanças de clima na trama, que passam de um filme de monstro para um filme de detetive noir encabeçado pelo ótimo Peter Sarsgaard e por uma Penélope Cruz irreconhecível em uma atuação novelesca inexplicável. Nem parece a mesma atriz que brilhou tanto sob o comando do espanhol Pedro Almodóvar.

Foto: Reprodução/ Warner Bros. Pictures
Faltou ousadia?
Elenco claramente não é o problema aqui. Temos uma constelação de grandes atores tentando entregar um trabalho competente — mesmo Cruz, que talvez tenha sofrido mais com a direção de elenco do que com qualquer falta de talento próprio.
Até mesmo Jake Gyllenhaal (O Abutre), irmão da diretora, faz aqui uma pontinha de luxo. (Quem não chamaria o irmão talentoso para dar uma força no próprio filme, afinal?)
Só que somente elenco não sustenta um projeto. Quando se decide trabalhar com histórias tão batidas, é necessário ainda mais imaginação e ousadia para entregar algo realmente novo.
Novo até é, ousado também. Mas jogar gratuitamente todas essas camadas narrativas e personagens caricatos em um cenário mais “moderno” não é suficiente para sustentar o filme por si só.

Foto: Warner Bros. Pictures
Capricho técnico
A direção de fotografia de Lawrence Sher dá charme à Chicago dos anos 30, repleta de luzes neon ao mesmo tempo soturnas e vibrantes, em meio a uma direção de arte muito bem construída.
A parte técnica é, inquestionavelmente, o ponto alto aqui. Os cenários são muito bem elaborados, muitas vezes dando a impressão de terem sido filmados em locações reais. Os figurinos e o trabalho de maquiagem são excepcionais, mesmo que a personagem da Noiva, vez ou outra, lembre bastante a Cruella de Vil vivida por Emma Stone.
É perceptível que houve um grande investimento por parte da Warner Bros. na produção, demonstrando uma grande confiança em Maggie Gyllenhaal. Isso torna ainda mais lamentável que o resultado final seja tão truncado.
A edição parece não encontrar seu ritmo — o que não chega a ser surpresa, já que o roteiro também parece se embolar e nunca se encontra dentro da própria confusão.
Mesmo com seus tropeços narrativos, A Noiva! revela uma diretora interessada em experimentar e provocar novas leituras para um mito clássico do cinema. A tentativa de reposicionar a personagem como figura central e simbólica demonstra ambição autoral e vontade de dialogar com temas contemporâneos.
Conclusão
No fim das contas, porém, o filme acaba sendo mais interessante como exercício estético do que como narrativa coesa. Há talento por trás da câmera, um elenco de peso e um universo visualmente sedutor, mas falta à obra a clareza de propósito necessária para transformar boas ideias em uma experiência realmente memorável.
Talvez o verdadeiro grande momento de Maggie Gyllenhaal como diretora ainda esteja por vir.
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