Publicado em 30/06/2026 às 15h40.

Documentário dirigido por Dandara Ferreira ganha sessões especiais em Salvador

"Anatomia do Caos" estreia no dia 2 de julho e terá amplo circuito de exibições seguidas de debate pelo Brasil

João Lucas Dantas
Pôster do filme

Após estrear na ficção com a cinebiografia Meu Nome É Gal, protagonizada por Sophie Charlotte, a cineasta baiana Dandara Ferreira retorna às telas com o documentário político Anatomia do Caos. O longa chega aos cinemas no dia 2 de julho e revisita a condução da pandemia de Covid-19 no Brasil a partir dos trabalhos da CPI da Covid.

Antes da estreia nacional, o filme terá sessões especiais em Salvador. Na quarta-feira (1º), haverá uma exibição no Cine Glauber Rocha, enquanto na sexta-feira (3), o documentário será apresentado na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ambas as sessões serão seguidas de debates com a diretora. A proposta é transformar as salas de cinema em espaços de reflexão e diálogo sobre a história recente do país.

Distribuído pela Descoloniza Filmes, Anatomia do Caos relembra a atuação do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia e acompanha os trabalhos da CPI da Covid, que investigou ações e omissões no enfrentamento da crise sanitária. O documentário também apresenta registros inéditos dos bastidores da comissão parlamentar, além de documentos e investigações relacionados à condução da pandemia.

Dandara Ferreira/ Foto: Roberto Stuckert/ Divulgação

 

Em abril de 2021, Dandara Ferreira decidiu ir a Brasília para registrar os trabalhos da comissão em meio ao cenário de incerteza provocado pela pandemia. “O que me movia naquele momento era a percepção de que o país atravessava algo maior do que uma crise sanitária. Havia uma disputa brutal em torno da própria realidade”, afirma a diretora.

Segundo a realizadora, a CPI da Covid é apresentada no filme como o palco de uma tragédia nacional. O documentário investiga ainda a disseminação de informações falsas e os impactos da desinformação durante a crise sanitária.

“Não se tratava apenas de negligência. Havia uma construção de uma narrativa em curso, uma política da desinformação que transformava a morte em estatística e a dor coletiva em deboche”, destaca Dandara.

O longa também aborda a questão da responsabilização após o encerramento das CPIs no país. Para a diretora, o filme não busca apenas revisitar o passado, mas refletir sobre o presente e os desdobramentos desse período.

“Esse filme nasce da necessidade pessoal de registrar esse período e da certeza de que algumas imagens precisam continuar abertas, porque elas ainda nos olham de volta”, conclui.

Sinopse

Com acesso inédito ao Senado Federal, Dandara Ferreira acompanha de dentro toda a trajetória da CPI da Covid-19 e transforma esse material exclusivo em um registro cinematográfico de um dos momentos mais marcantes da pandemia no Brasil.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde, Viva Comunicação Interativa, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador e portal Bahia Econômica. Atualmente, é repórter de Cultura no bahia.ba. Contato: jlucas9915@gmail.com

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