Publicado em 18/04/2026 às 15h00.

Eliana Alves Cruz destaca força da literatura na Bienal da Bahia: ‘Faz diferença’

Autora fala sobre memória, representatividade e impacto nas novas gerações

Edgar Luz
Foto: Reprodução/Redes Sociais @elialvescruz

 

A escritora Eliana Alves Cruz marcou presença na Bienal do Livro da Bahia 2026 neste sábado (18) e falou, em entrevista exclusiva ao Bahia.ba, sobre o papel da literatura na construção da memória coletiva e na formação de novas gerações.

Conhecida por obras que resgatam histórias apagadas e valorizam narrativas negras no Brasil, a autora destacou a importância do encontro com o público em eventos literários.

“É aqui que a gente encontra o coletivo, né? É aqui que encontramos as pessoas, os leitores, as pessoas que continuam a escrever a história conosco, porque a escrita é muito solitária, a escrita é um momento nosso de elaboração do mundo. Mas quando o livro é publicado e que ele vai a público, que ele chega na mão das pessoas, é que ele realmente é escrito”, afirmou.

Durante a conversa, Eliana também celebrou a movimentação da Bienal e o interesse do público pelos livros. “É dar um quentinho no coração ver os corredores abarrotados, as pessoas comprando livros, abordando os escritores para fotos. Algo muito diferente de um passado até muito recente do Brasil”, disse.

A autora apresentou no evento o projeto ‘Gênios da Nossa Gente’, desenvolvido ao lado de Estevão Ribeiro, que reúne mini-biografias de personalidades brasileiras. Segundo ela, a proposta busca valorizar trajetórias e oferecer referências confiáveis. “Primeiro, trazer dados reais e fidedignos daquelas pessoas. Porque está todo mundo muito viciado na internet e na internet a gente encontra muita informação conflitante”, explicou.

Eliana também destacou a importância de reconstruir o imaginário coletivo, especialmente para a população negra. “Então, eu acho que isso tudo ajuda a gente a construir um imaginário. Um imaginário sobre nós. A autoestima como povo. Olha só, nós somos o povo que criou Pixinguinha. Nós somos o povo que tem um artista como zebrinha”, afirmou.

Ao falar sobre o público infantojuvenil, a escritora apontou o impacto da representatividade na formação das crianças. “Eu quero que as novas gerações sejam pessoas diferentes da Eliana criança. […] Eu não via referências minhas nas indicações de livros da escola, eu não via referências minhas em lugar nenhum, como criadores e portadores de conhecimento”, disse.

Para ela, o acesso a essas referências pode transformar perspectivas de vida. “Então, eu quero que as crianças tenham essa experiência de entender que elas são muito poderosas, que elas descendem de pessoas que criaram muitas coisas e isso faz toda a diferença da nossa vida adulta”, completou.

Assista:

Edgar Luz
Jornalista, apaixonado por comunicação e cultura, pós-graduando em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Atualmente integra as redações do Bahia.ba e do BNews, escrevendo principalmente sobre entretenimento, mas transitando também por outras editorias. Com passagens pelos portais Salvador Entretenimento e Voz da Cidade, tem experiência em reportagem, assessoria e Social Media.

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