Publicado em 02/06/2026 às 12h58.

Espetáculo MAR retorna ao Teatro Martim Gonçalves

Montagem da Mimus Companhia de Teatro será apresentada em sessão única

João Lucas Dantas
Foto: Sora Maia/ Divulgação

 

Inspirado nas imagens, memórias e narrativas que marcam a relação dos baianos com o mar, o espetáculo MAR volta ao palco do Teatro Martim Gonçalves nesta quarta-feira, 3 de junho, às 18h.

A apresentação única integra a programação da Ocupação Artística UFBA 80 Anos, iniciativa que reúne produções de diferentes áreas artísticas em celebração ao aniversário da Universidade Federal da Bahia.

A sessão acontece logo após o encerramento da temporada de “A Hora em que não sabíamos nada da gente”, montagem da Companhia de Teatro da UFBA dirigida por George Mascarenhas, com assistência de direção de Deborah Moreira. Os dois trabalhos compartilham vínculos com a Escola de Teatro da UFBA e refletem a força da produção artística desenvolvida no ambiente universitário, reforçando sua presença nas comemorações dos 80 anos da instituição.

Promovida pela Pró-Reitoria de Extensão, Arte e Cultura (Proext-AC), a Ocupação Artística UFBA 80 Anos reúne 80 ações culturais nas áreas de teatro, música, dança, audiovisual e artes visuais. A programação é construída por estudantes, professores, pesquisadores e servidores técnico-administrativos da universidade e integra as celebrações que culminarão em 2 de julho de 2026, data em que a UFBA completa oito décadas de existência.

Mistérios à beira-mar

Criado pela Mimus Companhia de Teatro, grupo fundado por Deborah Moreira e George Mascarenhas, MAR ocupa um lugar de destaque na trajetória da companhia. Sem utilizar a palavra falada, o espetáculo aposta na expressividade corporal, na construção de imagens cênicas e na imaginação do público para narrar histórias de encontros, transformações e mistérios ligados ao mar.

A encenação acompanha dois personagens que se deparam com acontecimentos inesperados trazidos pelas águas. Entre marés, mudanças climáticas e objetos que chegam à costa, desenvolve-se uma trama permeada por afetos, conflitos e descobertas. A dramaturgia não verbal amplia as possibilidades de interpretação e estabelece conexões com temas humanos, sociais e ambientais contemporâneos.

Livremente inspirado em histórias e imagens associadas à Baía de Todos-os-Santos e ao universo marítimo, o espetáculo convida o público a vivenciar uma experiência sensorial construída a partir da corporeidade dos atores. A montagem privilegia a sugestão poética e a participação ativa dos espectadores na construção dos sentidos da narrativa.

O retorno de MAR ao Teatro Martim Gonçalves ganha significado especial dentro da programação comemorativa da UFBA. A obra reúne artistas profundamente ligados à universidade e dialoga com uma trajetória construída entre ensino, pesquisa, extensão e criação artística.

“Participar da Ocupação Artística UFBA 80 Anos é celebrar uma universidade que sempre acreditou na arte como espaço de reflexão, experimentação e transformação. MAR nasceu desse ambiente de pesquisa e criação e retorna agora ao Teatro Martim Gonçalves como parte de uma programação que evidencia a força da produção artística construída dentro da UFBA ao longo dessas oito décadas”, destaca Deborah Moreira.

Pesquisa em Mímica Corporal Dramática

Fundada em Salvador, a Mimus Companhia de Teatro desenvolve, desde 2007, uma pesquisa baseada na Mímica Corporal Dramática de Étienne Decroux, em diálogo com linguagens cênicas contemporâneas. Ao longo de sua trajetória, o grupo consolidou um repertório marcado pela dramaturgia autoral, pela valorização do corpo como elemento narrativo e pela abordagem poética de temas atuais.

MAR tornou-se uma das obras mais representativas desse percurso artístico por transformar o corpo em linguagem e o palco em espaço de memórias, encontros e múltiplas interpretações. Recentemente, o espetáculo integrou a programação do Festival Cultural China-Brasil, realizado em Xangai, ampliando sua circulação internacional.

Ao integrar a Ocupação Artística UFBA 80 Anos, a montagem reforça o papel da universidade como agente cultural e espaço de convivência, reflexão e produção artística. A apresentação também evidencia a permanência e a relevância das pesquisas desenvolvidas no ambiente acadêmico, capazes de gerar obras que atravessam gerações e continuam dialogando com diferentes públicos.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde, Viva Comunicação Interativa, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador e portal Bahia Econômica. Atualmente, é repórter de Cultura no bahia.ba. Contato: jlucas9915@gmail.com

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