Publicado em 21/04/2026 às 06h30.

Jéssica Senra abre o coração sobre saída da TV e nova fase: ‘Saudade e alívio’

Jornalista também fala sobre busca impacto dos seus posicionamentos nas redes

Edgar Luz
Foto: Reprodução/Redes Sociais @jessicasenra

 

A jornalista Jéssica Senra voltou a falar sobre sua saída da TV e o início de uma nova fase profissional, agora distante da rotina diária do telejornal. Conhecida por comandar o Bahia Meio Dia, da Rede Bahia, ela se afastou da bancada após anos à frente do noticiário local. Em entrevista exclusiva ao Bahia.ba nesta segunda-feira (20), durante a Bienal do Livro Bahia 2026, a comunicadora refletiu sobre esse momento de transição.

Ao falar sobre como tem sido viver longe da televisão, Jéssica descreveu o período como uma mistura de sentimentos. “É um misto. Eu sinto muita saudade das pessoas, muita saudade do dia a dia, da rotina. Ao mesmo tempo, sim, teve um pouco de alívio”, afirmou.

A jornalista explicou que o desgaste emocional teve peso na decisão. O contato diário com notícias difíceis acabou impactando sua forma de se comunicar e também seu bem-estar. “Estava muito dolorido, estava muito difícil. E eu queria levar positividade para as pessoas”, disse.

Ela ainda destacou que buscava transmitir mensagens mais leves e inspiradoras, algo que nem sempre era possível dentro do formato tradicional do jornalismo diário.

“Eu queria levar essas mensagens de força e de empoderamento, principalmente para as mulheres, mas para as pessoas em geral, mas de um lugar de amor, de um lugar de coragem, de força e de positividade mesmo”, refletiu.

Nova forma de se comunicar

Fora da TV, Jéssica afirma que encontrou um espaço mais confortável para abordar temas importantes sem o peso constante das notícias negativas. “Acho que, na TV, eu estava indo sempre para esse lugar da violência, exigindo uma força de um lugar que estava me machucando”, desabafou.

Ela acredita que, agora, consegue dialogar com o público de maneira mais leve, sem deixar de tratar de assuntos relevantes.

“Então, agora, eu acho que eu consigo falar melhor com as pessoas, com mais tranquilidade, com mais leveza, de assuntos sérios, de assuntos importantes que nos empoderam, mas que a gente fala com menos dor”, completou.

Posicionamento e repercussão nas redes

Mesmo mais reservada após deixar o jornalismo diário, Jéssica segue se posicionando nas redes sociais quando se sente provocada por determinados temas. Recentemente, uma de suas falas sobre questões de gênero e representatividade, incluindo repercussões envolvendo a deputada Erika Hilton, chamou atenção.

Segundo ela, houve um período de maior recolhimento após a saída da TV, inclusive com um afastamento do noticiário. “Ainda com a saída do jornalismo, fiquei um pouco mais calada e parei um pouco de assistir o noticiário. Me resguardei um pouco”, declarou.

No entanto, a jornalista admite que não consegue se omitir diante de pautas que considera essenciais, especialmente aquelas ligadas a direitos e desigualdades. “Mas, na hora que eu vejo o que mexe comigo, não tenho como ficar calada, não dá para ficar quieta”, disse.

Ela também comentou a importância de manter certos debates em evidência, independentemente de tendências ou ciclos midiáticos.

“Não deixei passar em branco, porque acho que precisamos falar dos assuntos que atravessam todo mundo. Metade da população é feminina e a outra metade nasce de mulher. Então, é um assunto que não dá para sair da pauta”, pontuou.

“É uma missão”

Por fim, Jéssica avaliou a recepção do público diante de seus posicionamentos. “E eu me surpreendo sempre com a receptividade das pessoas, como elas se identificam, como elas entendem”, afirmou.

A jornalista disse que, mesmo desejando momentos de silêncio, sente um compromisso em contribuir com reflexões e ampliar debates.

“Às vezes, quero estar quieta no meu canto, mas sinto que há esse chamado para tentar explicar, para tentar esclarecer, para tentar tirar um pouco desse preconceito”, contou.

Ela concluiu destacando a importância de romper com visões limitadas e estimular o diálogo. “O preconceito é esse conceito prévio que temos e não permitimos conhecer esse outro. E a gente se fecha, às vezes, nesses conceitos prévios que nos emburrecem, que nos aprisionam. E acho que, às vezes, é importante a gente dizer certas coisas para que a gente possa expandir nossa mente e também nosso coração”, finalizou.

Edgar Luz
Jornalista, apaixonado por comunicação e cultura, pós-graduando em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Atualmente integra as redações do Bahia.ba e do BNews, escrevendo principalmente sobre entretenimento, mas transitando também por outras editorias. Com passagens pelos portais Salvador Entretenimento e Voz da Cidade, tem experiência em reportagem, assessoria e Social Media.

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