Publicado em 16/03/2017 às 08h44.

Moraes comenta problemas no carnaval e paternidade da Axé Music

O artista enfrentou trios quebrados em seus dois dias de desfile e teve a criação do movimento atribuída a si por Caetano Veloso

James Martins
(Foto: Mateus Pereira / GOVBA)
(Foto: Mateus Pereira / GOVBA)

 

Moraes Moreira, em texto publicado no Facebook, comentou as venturas e desventuras vividas por ele no carnaval deste ano, que teria tudo para ser um dos mais especiais de sua carreira, já que o artista completa 70 anos em 2017, mas foi atrapalhado por problemas no trio elétrico – tanto no domingo quanto na terça. “Posso me considerar um homem feliz. Já na casa dos 70, ainda tenho disposição para subir num trio elétrico, cantar por mais de quatro horas com o auxilio do meu filho Davi Moraes. Seguimos a tradição de Osmar: família que toca unida permanece unida”, começou.

Após falar um pouco sobre sua carreira, seus 42 carnavais, a perenidade de suas canções etc, o cantor comenta a notícia dada em primeira mão pelo bahia.ba, sobre a provocação de Caetano Veloso a ele, a respeito da paternidade da Axé Music. Caetano afirma que o pai é Moraes, Moreira nega. “Nosso Carnaval 2017 começou em Natal. Ainda lá recebi pelo celular uma mensagem de Armandinho: ‘Fala Moreira, Caetano declarou que você é o pai do Axé e pronto, quer você queira ou não. Que você foge disso como o diabo foge da cruz’. Fiquei intrigado, mas respondi: ‘deixa Caetano falar’, escreveu.

E prosseguiu: “Caetano disse que eu era o pai do Axé e do Carnaval moderno. A segunda parte da mensagem: ‘quer você queira ou não’, não ficou claro se foi ele que disse. Fiquei meio cabreiro, pois me pareceu autoritário, feriu suscetibilidades e provocou ciumeiras. Como sabemos, a paternidade é disputada por muitos”.

E aí vem a parte que talvez seja a mais interessante de todo o texto, quando o autor de “Chão da Praça” comenta o aspecto devastador da indústria Axé Music, que por um período sufocou praticamente todas as outras manifestações no meio ambiente local: “Quando o Axé chegou foi arrasador. A engrenagem formada pelas gravadoras, empresários e radialistas, baniram as minhas músicas e as de Dodô e Osmar de toda e qualquer programação dos meios de comunicação. De repente ficamos velhos, nenhuma conexão entre nós e o novo movimento aconteceu. Poucos artistas se pronunciaram: Luiz Caldas e Bell Marques sâo alguns dos poucos que nunca negaram a nossa influência”.

O compositor, entretanto, nega preconceito contra o gênero. “Dizer que eu tenho algum preconceito em relação ao Axé é algo que não faz o menor sentido”, afirma.

E chega o momento exato do carnaval, o prenúncio de uma energia pesada no ar, obrigações místicas, expectativas muitas (“Tudo prenunciava um Carnaval maravilhoso”) e os defeitos nos trios. “Sabíamos de antemão que o trio a ser usado por nós no domingo seria o Trio Light, fornecido pela prefeitura, e na terça teríamos o Trio O Ricardão, do governo estadual. Ressalva: como o nome dos trios são feios, falta inspiração, sou do tempo do Tapajós, Marajós, Caetanave, Trio Espacial. Completamente chocada, nossa empresária Bel Kurtz nos deu a noticia: ‘o caminhão está com problemas de embreagem, não consegue sair do lugar'”, diz.

O texto segue descrevendo as situações absurdas porque teve que passar o primeiro cantor de trio-elétrico, a frustração e o carinho dos fãs. Mas conclui sem desesperança nem temor, em estilo tão baiano quanto novo, mas também eternamente Moraes Moreira: “Tentaram melar meu baba, mas não conseguiram. O povo baiano viu que eu estava lá com minha história, meu repertório, com Davi Moraes, a banda e uma equipe dedicada. Eu sou o primeiro cantor do trio, e esse, com certeza, não será o meu último Carnaval”.

Leia a íntegra abaixo:

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