Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba.
DRT: 7543/BA
Publicado em 24/06/2025 às 15h20.
Rachel Reis navega por mares de referências e gêneros em Divina Casca
Em conversa com o bahia.ba, a cantora apresenta novo álbum marcado pela diversidade sonora e fala sobre o show na Concha Acústica neste sábado (28)
João Lucas Dantas

A cantora baiana Rachel Reis, natural de Feira de Santana, lançou seu segundo álbum de estúdio em abril deste ano. Divina Casca ganhou vida, inaugurando uma nova fase musical em sua carreira. Com seu caldeirão de referências essencialmente brasileiras, o disco, com 15 faixas inéditas, já se tornou um marco no seu amadurecimento artístico. Com o primeiro show solo na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, marcado para este sábado (28), a Sereiona conversou com o bahia.ba a respeito de todo o projeto e da Divina Tour.
Ao fugir de agradar os algoritmos da era digital, a cantora explica que há todo um cuidado ao pensar no processo criativo dos novos sons, que exalam baianidade nos ritmos. “Tudo que tenho feito é muito pensado. É um passo de cada vez mesmo, no meu tempo, com a minha cara. Não é um trabalho feito para seguir fórmula nem para se encaixar em algum lugar. Então ver isso crescendo, ver as pessoas se conectando, entendendo o que quero dizer com as músicas me deixa realizada e me dá ainda mais vontade de continuar criando”, expressa Rachel.
Já tendo feito participações especiais na Concha Acústica, palco mais tradicional da capital baiana, como a vez em que foi convidada por Lazzo Matumbi, em novembro de 2023, para o especial da Consciência Negra, a apresentação do próximo sábado marcará a primeira vez em que a artista leva um show 100% seu para o local tão estimado musicalmente.
Segundo a cantora, será uma noite de “grande emoção”. “É uma conquista real. A Concha é um espaço emblemático, grandioso. Artistas de que sou fã, que me inspiram, já pisaram ali. Era uma das minhas metas realizar um show lá. Por isso, me sinto imensamente feliz e ansiosa para me apresentar”, pontua a compositora.
Mar de referências da Sereiona
Indicada ao Grammy Latino em 2023, na categoria Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa, pelo álbum Meu Esquema, lançado em 2022, a cantora sempre despertou interesse dos fãs por nunca se encaixar em um único gênero ou ritmo. Ao transitar entre Música Popular Brasileira (MPB), pop, afrobeat, reggae e pagode, Rachel cria algo único, com composições e flows rapidamente identificáveis como seus, e que exalam sua baianidade, algo raro no cenário musical atual.
Questionada sobre o processo criativo de suas composições, ela esclarece que não pensa muito a respeito do gênero de cada canção. “As referências que tenho, o que escuto, o que vivo, tudo isso vai entrando naturalmente. A Bahia está em mim, está na ponta da língua, então isso vem de um jeito muito espontâneo”, responde.
No novo disco, a própria escolha das músicas já demonstra o carinho da cantora por suas referências musicais. Ela decidiu regravar Sexy Yemanjá, clássico de Pepeu Gomes (ex-Novos Baianos), que foi trilha de abertura da novela Mulheres de Areia (1993), exibida pela Globo; e fez homenagem a Jorge Ben Jor, que inaugurou o samba-rock nos anos 1960, mudando o rumo da MPB e do próprio samba.
“Sexy Yemanjá foi uma escolha muito afetiva. É uma música de que tenho muito carinho, que me lembra novela, e eu sou noveleira mesmo. Sempre gostei dessa canção, e ter uma faixa de um grande baiano como Pepeu dentro do disco foi uma grande alegria. Já a referência a Jorge Ben vem de outro lugar. Jorge, para mim, mostra uma forma de cantar o amor diferente do que se costuma ver. É um amor manhoso, malandro, cheio de veneno, e isso é lindo. Fora que a métrica e a musicalidade dele sempre me inspiraram muito”, declara a cantora.
Ao lembrar das suas relações com as novelas, é importante registrar que a artista também emplacou dois sucessos em trilhas da Globo: a canção Maresia foi parte da novela Fuzuê (2023–2024); e Bateu embalou o remake de Renascer (2024). Além disso, Caju fez parte da trilha da série Cangaço Novo, do Prime Video.
Mosaico de artistas que atravessa gêneros
No primeiro álbum de estúdio, Meu Esquema, Rachel Reis já havia se unido à cantora Céu; agora, a banda BaianaSystem chega junto na faixa Alvoroço, os rappers Don L, Nêssa e Rincon Sapiência se unem na música Tabuleiro e o Psirico participa no pagode Apavoro.Para a cantora, essa facilidade de transitar entre diversos tipos de artistas se deve à sua curiosidade musical.
“Sou muito curiosa com música. Nunca fui uma artista presa a um só gênero. Cresci ouvindo quase de tudo e continuo muito curiosa musicalmente. Mas, mais do que isso, gosto de trabalhar com quem admiro, com quem tenho vontade real de trocar. Não faço feat para seguir tendência ou porque o algoritmo pede. E, quando a troca é verdadeira, minha essência continua lá, mesmo que o som vá para outros lugares”, demonstra.
Inclusive, Don L, Nêssa e Rincon Sapiência são nomes confirmados como participações especiais no show deste sábado, na Concha. “Eles vêm comigo neste show e estou muito feliz de poder dividir o palco com eles em um momento tão importante para mim. Não vejo a hora”, afirma Rachel.

Metamorfoses visuais
Ao explorar uma estética visual completamente diferente da fase Meu Esquema, a Divina Casca representa tons mais azulados, praianos, sempre remetendo a elementos do mar, que dialogam com o repertório escolhido, vide a supracitada Sexy Yemanjá ou a autoral Deixa Molhar.
Rachel destaca a importância do diálogo entre imagem e som para criar uma narrativa completa do seu trabalho. “A imagem sempre caminhou junto com a música para mim. Quando começo a compor um disco novo, já vou sentindo um universo visual que nasce com aquelas músicas. Não dá para separar uma coisa da outra”, explica.
“Cada fase que vivo, como artista e como pessoa, acaba refletindo nisso. Meu Esquema tinha uma vibe, um momento meu, e Divina Casca já veio de um lugar mais denso, mais maduro. Isso aparece nas cores, nas roupas, nos vídeos, nas fotos, em tudo. Vejo como uma linguagem completa, que ajuda a contar a história da música também”, acrescenta.
Ao encerrar, ela fala sobre a expectativa do show de sábado, segunda apresentação da Divina Tour, que teve início em 1º de junho em Brasília e já tem datas confirmadas para Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre, Blumenau, Jaraguá do Sul, Joinville, Fernando de Noronha e Natal.
“Será um show vibrante, com a cara da Bahia de hoje. Vai ter música para dançar, música para cantar junto, vai ter emoção. Preparei um repertório que mistura o novo disco com coisas que o público já gosta e canta nos shows. E, principalmente, é um encontro. Quero que quem estiver ali viva aquela noite de verdade, com presença e sentimento”, conclui Rachel Reis.
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