Publicado em 10/12/2020 às 15h33.

Guilherme Bellintani fala sobre diretoria de futebol, gestão, títulos e sócios

Candidato a reeleição afirmou que vai reestruturar diretoria de futebol e propôs meta de 50 mil sócios em 2021, fazendo advertência quanto a déficit de R$ 25 milhões

Adriano Villela
Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia
Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia

 

Candidato à reeleição em eleição que acontece neste sábado (12), o presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Cortizo Bellintani, afirmou em entrevista ao bahia.ba que pretende trazer mais pessoas para a Diretoria de Futebol. O dirigente admitiu que no campo o clube não atingiu a mesma dimensão que vive fora dele. Nos dois anos não afetados pela pandemia de Covid-19, o clube chegou a um faturamento de R$ 186 milhões (ante R$ 95 milhões no ano anterior à posse dele) e a 45 mil sócios adimplentes, saindo de iniciais 14 mil. Nas conqustas profissionais, contudo, comemorou apenas três campeonatos baianos e ficou no quase na Copa do Nordeste.

Nesta entrevista,   Bellinatani falou sobre o que pretende manter e mudar no futebol, finanças, divisão de base, futebol feminino e gestão caso os sócios lhes conceda mais três anos. .Na terça feira, o bahia.ba apresentou as ideias do candidato da oposição, +Bahia, Lúcio Rios. “A gente não conseguiu entregar ao torcedor um número de conquistas e de espaços dentro de campo na proporção que fora de campo”, admitiu. “Teremos que fazer diferente no futebol, corrigindo rumos, reestruturando a diretoria de futebol, trazendo mais pessoas com capacidade alta”, afirmou o candidato, que tem o apoio de sete das 10 chapas que concorrem a uma das 100 cadeiras no Conselho Deliberativo. Fora de campo, o dirigente espera chegar à marca de 50 mil sócios ainda em 2021.

Embora não tenha citado nomes, o mais provável é que, caso reeleito, Bellintani mude o diretor Diego Cerri. O gestor foi sondado pelo São Paulo – atual líder do Campeonato Brasileiro – mas negou o convite por preferi funções de menor responsabilidade devido a problemas de saúde relacionados a estresse. Essa informação é do UOL. Cerri também não goza do mesmo prestígio junto à torcida.

Formado em Direito e fundador  da Editora Jus Podium e do curso JusPodium, Bellintani  tem 43 anos anos e busca convencer os sócios que pode transformar o êxito na gestão em bom desempenho nos jogos. Ele cita como uma de suas realizações no clube a reforma que permitiu a inauguração do novo centro de treinamento, em Camaçari, que leva o nome do técnico campeão brasileiro em 1988, Evaristo de Macedo. A inauguração do espaço, em janeiro deste ano, atraiu 7 mil sócios. “Conquistamos coisas importantes como marca própria de uniformes, loja e agora o museu do clube. Mas naturalmente o futebol não acompanhou essa mesma dimensão de transformação”, reconhece. “Tenho certeza de que daqui a pouco  vai começar a chegar resultados maiores no futebol”.

 

Finanças na pandemia

Ainda na esfera administrativa, o candidato a reeleição observa que a pandemia deve gerar um déficit este ano de R$ 25 milhões. Recuperar as finanças é, na opinião dele, o segundo grande desafio do próximo período, além das alterações na estrutura do futebol. Quando fala do orçamento, Bellintani não perde a oportunidade de alfinetar o principal adversário local, atualmente suspenso por seis meses de fazer contratações devido a dívidas antigas.”Isso vai ser muito impactante para o futuro do clube. Se for mal administrado, pode colocar o Bahia em uma rota de tragédia financeira já vista em outros clubes, inclusive em nosso rival Vitória, não por conta da pandemia, mas por outros tipos de erro.”

Guilherme Bellintani considera que títulos expressivos sem uma administração correspondente pode comprometer o clube no futuro. “A pandemia trouxe consequências para o futebol brasileiro que são gravíssimas. Vai haver certamente times em vias de extinção ou no mínimo com uma recuperação financeira muito longa e dolorosa nos próximos anos”.  O dirigente apoia a ideia de que grandes conquistas resultam de uma ação de longo prazo. ” A pressa, a intempestividade, o sentimento de que tudo é fácil, de que o mero discurso vai transformar o clube devem ser deixados de lado. Isso é o grande perigo na gestão do futebol”, resumiu.  “O que a gente precisa fazer é corrigir os erros. Entender que a gente também erra”.

 

Foto: EC Bahia/divulgação
CT novo foi estruturado e inaugurado na atual gestão Foto: EC Bahia/divulgação

 

Time feminino

Para Bellintani, o próximo mandato será marcado pela ampliação da participação feminina no clube, seja desportivamente seja na política interna. No time, as meninas tricolores decidem nesta sexta-feira (11),  no CT de Praia de Forte, em um clássico nordestino contra o Fortaleza, a vaga no Brasileiro A1, a primeira divisão da modalidade. Na ida, no Ceará, a equipe campeã baiana segurou o zero a zero. O atual presidente planeja investir no time feminino mesmo sem a promoção de divisão. Um dos itens do projeto é concluir, no próximo ano, a hospedaria para as atletas no CT novo.  “Começamos com a parceria com (o time da) Lusaca, depois criamos um departamento próprio dentro do clube,conseguimos um espaço importante. Estamos muito próximos de conseguir uma classificação para a série A”. Um dado relevante: a equipe foi montada em 2019, já tem um título estadual e cresce nacionalmente.

“Mais do que reforçar o time dentro de campo, trazer o futebol feminino mais próximo do clube, do sócio, das sócias, do torcedor, da torcedora, o que o futebol feminino representa é a presença da mulher na política do clube, no dia-a-dia do Bahia, no estádio, nos processos decisórios”, avalia Bellintani. Nesta gestão, uma das marcas do dirigente foram as políticas afirmativas, que incluiu se associar a torcedoras que protestaram contra assédios sofridos nas arquibancadas da Fonte Nova, cuja concessionária também apoiou esta luta.

Divisão de base

Douglas, Nino (Ernando), Juninho, Anderson Martins (Lucas Fonseca) e Juninho Capixaba;  Gregore, Ronaldo e Daniel; Elber, Gilberto e Rossi (Fessin). Esta pode ser considerada a base do time atual do Brasil. Destes atletas, apenas um foi formado no clube, o lateral Juninho Capixaba, vendido no começo da gestão atual e que, atualmente, está emprestado pelo Grêmio (RS), time com o qual tem vínculo. A baixa revelação de jogadores é outra das críticas recebidas pela atual diretoria. Guilherme Bellintani reconhece que precisa avançar, traçando como foco um elenco profissional 50% formado pela agremiação.

” Queremos a base como  um grande transformador de médio e longo prazos do Esporte Clube Bahia, mas ela já vem fazendo uma transformação que começa a dá frutos. Hoje o time (profissional) já é alimentado por atletas jovens vindos do time de transição e da base. Nossa proposta é que no próximo triênio a gente consiga alcançar cerca de metade dos atletas do time principal formado na base ou no time de transição”. O presidente e candidato refere-se ao grupo sub-23, com atletas trazidos de outras equipes e que chegou a liderar o Campeonato Baiano, mas foi desmontado no começo da pandemia.

Bellintani garante ” mais arrojo, mais organização, mais planejamento” no Sub-23, afiançando que este vai disputar todo o torneio estadual inteiro no próxmo anoe alimentar de jogadores mais jovens o grupo que disputar o Brasileiro. Na base, planeja ampliar os projetos de iniciação do sub-13, sub-11 e sub-9. “Vamos separar uma parte do orçamento para a aquisição de atletas que a gente chama de pré-prontos, entre 16 e 20 anos. Tem muitos jovens talentos, em clubes menores, que com baixo investimento a gente consegue captar, além de naturalmente ampliar de 10 para 20 as células de observação e captação.”

 

Foto: Felipe Oliveira/ EC Bahia
Bellintani credita apoios à convergência  de visões diferentes marcou gestão Foto: Felipe Oliveira/ EC Bahia

 

 

Dois candidatos

Durante a entrevista, Guilherme Bellintani comentou também sobre o fato de disputar uma eleição com apenas dois nomes concorrendo para a Diretoria Executiva. Na opinião do dirigente, isso é fruto mais de um período de diálogo com outros movimentos que atuam dentro do clube, mas que preservam a democracia na agremiação, até pelas ideias diferentes do candidato de oposição.  Cita, como apoio a este entendimento, o apoio recebido de Abílio Freire e Fernando Jorge, adversários no pleito de 2017. “Duas pessoas que procuraram contribuir demais ao longo dos três anos de mandato, procuraram cada vez mais fazer um Bahia que seja fruto de uma união mesmo com visões diferentes, com posicionamentos diferentes em relação a diversos temas”, observou. “Ninguém está trocando apoio por cargo, por benefícios pessoais. Isso não existe no Bahia.”

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