Após 170 anos, Lucas da Feira terá direito a ampla defesa assegurado pela Defensoria Pública
Objetivo do julgamento simulado é resgatar o Direito na história e garantir a prerrogativa de todo acusado: o contraditório e ampla defesa

Robin Hood do sertão, escravo fugitivo em luta pelo abolicionismo ou apenas um assaltante aterrorizando a população?
Lucas Evangelista, mais conhecido como Lucas da Feira, será o personagem da 7ª Edição do projeto Júri Simulado – Releitura do Direito na História, realizado pela Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA).
A simulação de julgamento acontecerá no dia 25 de setembro (quarta-feira), às 14 horas, no Centro Universitário de Cultura e Arte/UEFS, na cidade de Feira de Santana.
Nas simulações, defensores públicos representarão o tripé da Justiça (defesa, acusação e julgamento) e atores serão especialmente convidados para assumirem o papel dos réus.
Ficou a cargo do ator Jailton Nascimento, que integra a Companhia Cuca e do Grupo Recorte de Teatro, interpretar Lucas da Feira. Já o júri é escolhido por sorteio, entre as pessoas do público.
A proposta do projeto é resgatar os direitos de personagens populares que historicamente não contaram com a prerrogativa de todo acusado: o contraditório e a efetiva ampla defesa. O evento é gratuito.
O réu
Figura cuja própria vida é objeto de polêmicas historiográficas, Lucas da Feira foi um negro nascido escravo em 1807 na região que viria se constituir na cidade de Feira de Santana, razão aliás da sua alcunha.
Por volta dos 20 anos, Lucas da Feira se liberta do cativeiro, juntando-se a um grupo de salteadores que mais tarde chega a ter cerca de 30 integrantes e que ele mesmo irá liderar.
Roubando fazendeiros da região e imparável pelas forças policiais, a fama de Lucas da Feira se espalha, servindo de incentivo e estímulo para a luta negra contra a violência da escravidão, assim como razão de pavor e preocupação pelo status quo baiano da época. Preso em janeiro de 1948, Lucas da Feira acabará sendo condenado ao enforcamento no dia 25 de setembro de 1849.
Júri Simulado
Lançado em novembro de 2016, a iniciativa realizou o julgamento de figuras simbólicas e relevantes para a história da Bahia e do Brasil. Luiza Mahin, Zumbi dos Palmares, índio Caboclo Marcelino, Cuíca de Santo Amaro, Carlos Marighela e até mesmo a Lei Áurea.
O intuito do projeto é colaborar na construção pedagógica de compreensão da realidade, ao trazer à memória episódios que estruturaram o racismo e a invisibilidade de tradições e lutas de segmentos sociais, como da população negra e indígena.
Mais notícias
-
Justiça12h35 de 13/03/2026
MP-BA questiona venda de áreas públicas e alerta para verticalização em Salvador
Apesar da autorização legislativa para a venda das áreas, menos de 30% dos imóveis desafetados foram efetivamente comercializados.
-
Justiça09h11 de 13/03/2026
STF determina prisão de PM’s envolvidos na tentativa de golpe do 8 de janeiro
Decisão do ministro Alexandre de Moraes ocorre após o esgotamento da possibilidade de novos recursos
-
Justiça20h00 de 08/03/2026
Moraes nega ter frequentado casa de Vorcaro em Trancoso
Em nota divulgada pelo gabinete, o magistrado também negou ter realizado viagens particulares com o banqueiro
-
Justiça17h20 de 07/03/2026
Nova lei permite uso de tornozeleira de agressores na Lei Maria da Penha
Medida autoriza Justiça a acompanhar em tempo real a localização dos suspeitos
-
Justiça21h00 de 06/03/2026
Justiça ordena retorno do goleiro Bruno à prisão após descumprimento de regras da condicional
Com a revogação do benefício, ele deverá retornar ao sistema prisional para o cumprimento da pena em regime semiaberto
-
Justiça18h58 de 06/03/2026
STF manda PF investigar vazamento de dados sobre o Banco Master
A determinação é do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça
-
Justiça07h32 de 06/03/2026
Justiça mantém condenação de pastores por assassinato de Lucas Terra
Família pedirá execução imediata da pena de 21 anos mantida em decisão unânime pelos desembargadores
-
Justiça08h17 de 03/03/2026
MP-BA pede arquivamento de inquérito sobre morte de Binho do Quilombo, filho de Mãe Bernardete
Família estuda solicitar federalização das investigações
-
Justiça18h44 de 27/02/2026
Juiz federal lança edições 2026 de obras sobre Direito Constitucional e Administrativo
Obras estão disponíveis para consulta e aquisição no site da editora
-
Justiça20h40 de 26/02/2026
Subprocurador alerta que pejotização pode determinar desproteção absoluta aos trabalhadores
Um dos aspectos mais críticos apontados por Manoel Jorge é o risco ao princípio da Primazia da Realidade










