Para não perder o futuro, eu aposto em você

    O abismo da perda de perspectiva somente pode ser superado pela construção de um futuro diferente

    A man looks at a graffiti depicting the various protests that occurred around Brazil's major cities during the Confederations Cup last month, in Sao Paulo July 10, 2013. Brazilian unions will go a nationwide strike on Thursday. REUTERS/Nacho Doce (BRAZIL - Tags: POLITICS SOCIETY CIVIL UNREST)

    O filósofo francês Edgar Morin retratou o mundo atual como um avião quadrimotor que tem seu avanço pela propulsão da ciência, da razão, da técnica e da economia. Infelizmente, registrou, “essa aeronave está sem piloto e vagando para uma catástrofe”. Assim como Morin, a sociedade brasileira tem questionado, descrente, qual será nosso caminho e como resolver o grave momento político e econômico que marca estes tempos sombrios.

    A metáfora do veículo quadrimotor, que de maneira desordenada nos aponta para o abismo, traz dois possíveis futuros: a catástrofe ou a oportunidade da metamorfose.

    A catástrofe, no nosso caso, é perder o futuro. É passar a viver à deriva entre uma situação ou oposição que se limitam a pensar no presente imediato, onde a única pauta possível é manter-se no poder. A crise do futuro é o abandono da esperança e a sensação de angústia e de neurose aparente (causadas pelo zika vírus, pela retração de direitos fundamentais patrocinada pelo STF, ou por uma crise econômica voraz e perversa).

    Combate à corrupção não pode se tornar o único projeto do Brasil

    O abismo da perda de perspectiva somente pode ser superado pela construção de um futuro diferente, pelo afastamento de monstros que costumam aparecer entre o velho mundo que custa a desaparecer e o novo que custa a nascer. É nesse claro-escuro que alguns, equivocadamente, apostam num Judiciário, que não oferecerá respostas e caminhos para a superação da crise; num Executivo, que perdeu a capacidade de apresentar alternativas para o futuro; e num Legislativo descrente.

    Somente sairemos desse lusco-fusco quando percebermos que o combustível dos quatro motores – e de outros tantos – somos nós, a sociedade brasileira. Será a nossa ação e a nossa luta que trará o avanço e o futuro. Nada mais.

    A Lava Jato provoca uma sensação de justiça que há muito não se experimentava e, por certo, modificará padrões de comportamentos governamentais e do mundo corporativo, mas o combate a essa infindável teia de corrupção não pode tornar-se o único projeto do Brasil. Não amanhece um Brasil novo a cada fase da operação, vive-se o Brasil de sempre.

    Nosso futuro precisa e merece muito mais.  E como nada nos oferecerão, para não perdermos o futuro, resta-nos a força de cada brasileiro.

     

    MArcosSampaio_200x200Marcos Sampaio é advogado, procurador do Estado da Bahia, professor da Faculdade Bahiana de Direito e da Faculdade de Direito da Unifacs.