Publicado em 23/02/2020 às 08h34.

Renato Duque recebeu 7,8 mi de francos suíços de propina, diz MP italiano

Tribunal de Milão processa sócios da San Faustin, holding do grupo Techint, por corrupção na Petrobras

Redação
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

 

O Tribunal de Milão, na Itália, marcou para 14 de maio a primeira audiência do processo contra os sócios da San Faustin, holding do grupo Techint. Os irmãos Gianfelice e Paolo Rocca e Roberto Bonatti são processados por corrupção envolvendo a Petrobras. A ação é parte da Operação Lava Jato.

De acordo com informações do Estado de S.Paulo, a denúncia foi feita pelos procuradores Donata Costa, Fabio de Pasquale e Isidoro Palma. Investigação do time de acusação indica que entre 2009 e 2014 os empresários pagaram subornos a Renato Duque, então diretor de serviços da estatal brasileira, em troca de 22 contratos de fornecimentos de tubos industriais no valor de 1,4 bilhão de euros (o equivalente a R$ 6,7 bilhões). O montante era repassado para favorecimento da Confab, empresa brasileira fabricante de tubos que era controlada pela San Faustin, por meio da Tenaris, metalúrgica que pertence ao grupo Techint.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Renato Duque acabou não abrindo editais internacionais e tratando diretamente com a Confab. O ex-diretor da Petrobras teria recebido, ao todo, 7,8 milhões de francos suíços (cerca de R$ 35 milhões) e US$ 500 mil (R$ 2,1 milhões).

A investigação contou com a colaboração do Brasil, Panamá, Suíça, Argentina, Estados Unidos e Luxemburgo. Por intermédio de cartas rogatórias recebidas, os procuradores italianos conseguiram reconstruir o caminho do dinheiro que teria sido utilizado para propina.

Em sua defesa, a San Faustin disse ao Estadão que a decisão do tribunal italiano se refere à corrupção de alguns funcionários da Petrobras entre 2009 e 2013. Além disso, a empresa disse “ter certeza” que a sentença esclarecerá a “absoluta exatidão” do comportamento da San Faustin.

PUBLICIDADE