Publicado em 09/12/2019 às 08h17.

Brasil cai uma posição em ranking do IDH e fica em 79º dentre 189 países

Expectativa de vida ao nascer cresceu 9,4 anos; média de anos de estudo aumentou 4 anos; e os anos esperados de escolaridade subiram 3,2 anos

Redação
Foto: Divulgação/IBGE
Foto: Divulgação/IBGE

 

O Brasil melhorou ligeiramente sua nota no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em 2018, mas caiu uma posição no ranking global, ao passar da 78ª colocação na edição anterior para a 79ª no levantamento, feito em 189 países.

A situação é bem pior quando considerada a desigualdade. Nesse caso, o país cai 23 posições, evidenciando que a disparidade no desenvolvimento permanece um desafio.

Os dados, divulgados nesta segunda-feira (9) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), mostram que, em 2018, o IDH brasileiro alcançou 0,761, alta de 0,001 em relação ao ano anterior.

Segundo o site Valor Investe, a nota coloca o país no grupo de desenvolvimento humano alto, do qual fazem parte também países como Cuba, México, Colômbia e China.

O relatório do Pnud destaca que o Brasil apresenta crescimento contínuo nos resultados, mas pontua que houve um avanço mais acentuado de 1990 a 2013, com resultados menos expressivos a partir de então.

Divulgado anualmente, o IDH mede o desenvolvimento dos países com base em três dimensões: saúde (expectativa de vida ao nascer), educação (anos esperados de escolaridade e média de anos de estudo da população adulta) e renda nacional bruta per capita. A escala varia de zero a um. Quanto mais perto de um, maior o desenvolvimento do país.

Em 2018, o primeiro colocado no ranking global foi a Noruega, com IDH de 0,954. O país é seguido por Suíça (0,946) e Irlanda (0,942), considerados países de desenvolvimento humano muito alto. Os últimos colocados, por outro lado, são Chade (0,401), República Centro-Africana (0,381) e Níger (0,377).

Na América do Sul, o Brasil e a Colômbia dividem a quarta posição.
O Chile ocupa a primeira, seguido por Argentina e Uruguai. De acordo com o Pnud, o IDH nacional está acima da média de 0,759 para países da América Latina e do Caribe. A média mundial é de 0,731.

Apesar da desaceleração no IDH brasileiro em 2018, o diretor do Escritório do Relatório de Índice de Desenvolvimento Humano do Pnud, Pedro Conceição, afirma que os resultados do país são “positivos, sólidos e sustentados”.

“O Brasil continua a fazer progressos, como tem feito nos últimos anos, apesar de em alguns desses anos a situação econômica ter ficado abaixo do esperado.”

De acordo com o relatório, de 1990 a 2018, a expectativa de vida ao nascer no Brasil cresceu 9,4 anos; a média de anos de estudo aumentou 4 anos; e os anos esperados de escolaridade subiram 3,2 anos.

O rendimento per capita, por sua vez, cresceu cerca de 39,5%. Nesses 28 anos, o IDH do país avançou 24%, superando as médias da América Latina e do Caribe e a global.

Betina Ferraz Barbosa, oficial do Pnud e chefe da unidade de desenvolvimento humano, acrescenta que, quanto mais alto o IDH de um local, mais difícil fica para ele sustentar os mesmos níveis de crescimento. “É normal que o ritmo se torne mais lento”, coloca.

A melhora tímida no IDH do país em 2018 é explicada principalmente pela estagnação no desempenho das variáveis de educação. No ano passado, o Brasil ficou estacionado tanto no quesito anos esperados de escolaridade (15,4 anos) quanto na média de anos de estudo (7,8 anos).

A expectativa de vida ao nascer, por outro lado, subiu de 75,5 anos em 2017 para 75,7 anos em 2018. A renda nacional bruta per capita também cresceu, ao passar de US$ 13.975 por ano para US$ 14.068. Esse valor ainda está, no entanto, abaixo do registrado em 2015, de US$ 14.490.

Quando o IDH é ajustado à desigualdade, a nota do país recua para 0,574, uma perda de 24,5%. Com isso, o Brasil passa a se enquadrar na categoria de desenvolvimento humano médio.

Em relação ao ranking, despenca 23 posições na classificação geral. É o país que mais perde posições no mundo, seguido por Camarões.

Segundo o relatório, a parcela dos 10% mais ricos no país concentra 41,9% da renda total. Já a parcela do 1% mais ricos concentra 28,3%, segunda maior concentração de renda do mundo nesta parcela da população.