Morre, aos 90 anos, o artista francês François Morellet
Nascido em 30 de abril de 1926 em Cholet, Morellet iniciou sua pesquisa com a arte abstrata em 1950

Morreu na noite desta terça-feira (10), poucos dias depois de completar 90 anos, o artista francês François Morellet. Segundo o jornal Le Monde, a morte do pintor foi confirmada pelo galerista Kamel Mennour, que o representa em Paris.
Nascido em 30 de abril de 1926 em Cholet, Morellet iniciou sua pesquisa com a arte abstrata em 1950. A inauguração de sua mostra na Dan Galeria ocorreu justamente no dia do seu aniversário. “Ainda não falamos com sua família, mas ele estava bem de saúde”, conta Flávio Cohn, curador da individual do francês na Dan Galeria. As Regras do Jogo, que reúne mais de 30 obras criadas pelo pintor nos anos 1960 e 70, considerado o mais representativo de sua trajetória, é apresentada simultaneamente, até o dia 27, na Mayor Gallery de Londres.
“De 1953 a 1958, François Morellet criou a sua própria linguagem feita de linhas paralelas ou concêntricas, quadrados ou triângulos, faixas ou traços, preto e branco ou poucas cores”, escreve o historiador de arte Serge Lemoine no texto do catálogo da exposição. Segundo o crítico, o artista teve como referências importantes na época o neoplasticismo de Piet Mondrian, as ideias do escultor Max Bill – descoberto por ele por meio do encontro com o artista brasileiro concreto Almir Mavignier, de quem se tornou amigo, durante sua vinda ao Rio no final dos anos 1950 – e o deslumbramento com os “entrelaçamentos da Alhambra em Granada”.
Néon – “Procuramos ver cada vez mais claro. Para atingir esse objetivo fazemos uso da linguagem mais simples e menos equívoca possível”, afirmou Morellet em texto da revista Ishtar em 1958. O pintor, que foi marcado pela geometria da arte islâmica, também recebeu a influência de artistas cinéticos. Na década de 1960, representado pela galerista Denise Renée, integrou o Groupe de Recherche d’Art Visuel ao lado do franco-argentino Julio Le Parc.
Em 1963, Morellet começou a utilizar tubos de néon em seus trabalhos. “Os néons eram uma provocação, eram vulgares e impossíveis de vender (tive de esperar 20 anos antes de vender o primeiro!). Hoje são chiques, caros, e muito procurados”, contou o francês em entrevista concedida em dezembro de 2015 ao curador Hans Ulrich Obrist, reproduzida no catálogo da mostra As Regras do Jogo.
Já nas pinturas, François Morellet desenvolveu um método semelhante, em música, ao de John Cage, atribuindo ao acaso um papel normalmente desprezado por outros artistas. Os seus primeiros desenhos abstratos são de 1948. Antes, o artista, filho de um industrial fabricante de carrinhos de bebê e colecionador, foi inspirado pela arte primitiva da Oceania, especialmente, as “tapas”, trabalhos geométricos abstratos, com formas repetitivas, feitos pelas mulheres.
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