Publicado em 05/09/2019 às 10h59.

Um em cada três jovens já sofreu bullying na internet, aponta pesquisa da Unicef

Estudo foi realizado com 170 mil pessoas de 30 países; no Brasil, 37% dos entrevistados afirmaram já ter sido vítima de cyberbullying

André Carvalho
Foto: Getty Images/ iStockphoto
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Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (4) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pelo representante especial do secretário-geral da ONU sobre Violência contra as Crianças aponta que um em cada três jovens de 13 a 24 anos já sofreram bullyng online. O estudo mostra também que um em cada cinco entrevistados relatou ter deixado a escola devido a cyberbullying e violência – 36% dos adolescentes brasileiros informaram já ter faltado a aulas após ter sofrido bullying online de colegas de classe, o que faz do país o líder em porcentagem nesse quesito.

Os jovens receberam, via SMS e mensagens instantâneas, perguntas relacionadas às suas experiências de bullying e violência online, ao local onde isso acontece com mais frequência e quem eles acreditam ser responsáveis por coibir tal prática. Para cerca de 32% dos entrevistados, os governos devem ser responsáveis pelo fim do cyberbullying – os próprios jovens foram responsabilizados por 31% dos entrevistados, ao passo que 29% apontaram as empresas de internet.

Mais de 170 mil jovens participaram da pesquisa, incluindo jovens da Albânia, de Bangladesh, de Belize, da Bolívia, do Brasil, de Burkina Faso, da Costa do Marfim, do Equador, da França, da Gâmbia, de Gana, da Índia, da Indonésia, do Iraque, da Jamaica, do Kosovo, da Libéria, da Malásia, do Malawi, do Mali, de Mianmar, da Moldávia, de Montenegro, da Nigéria, da Romênia, da Serra Leoa, de Trinidad e Tobago, da Ucrânia, do Vietnã e do Zimbábue.

No Brasil, 37% dos respondentes afirmaram já ter sido vítima de cyberbullying. As redes sociais foram apontadas como o espaço online em que mais ocorrem casos de violência entre jovens no país, identificando o Facebook como a principal. Os brasileiros, em sua maioria (55%) acreditam, ainda, que os jovens devem ser os principais responsáveis pelo fim do cyberbullying.

Para Henrietta Fore, diretora executiva do Unicef, “as salas de aula conectadas significam que a escola não termina mais quando o aluno sai da aula e, infelizmente, o bullying também não termina no pátio da escola”. Para três quartos dos entrevistados, que responderam à pesqusisa de forma anonima por meio da ferramenta de engajamento de jovens U-Report, as redes sociais, incluindo Facebook, Instagram, Snapchat e Twitter, são os locais mais comuns para o bullying online.

“Em todo o mundo, jovens – tanto em países de alta quanto de baixa renda – estão nos dizendo que estão sofrendo bullying online, que isso está afetando sua educação e que eles querem que isso pare”, disse Fore. “Ao marcarmos o 30º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, devemos garantir que os direitos das crianças estejam na vanguarda das políticas de segurança e proteção digital”.

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