Publicado em 08/07/2026 às 14h30.

Boulos critica demora no Senado e diz que PEC 6×1 trava por ‘birra’

Segundo o ministro, a demora na análise da proposta acaba prejudicando milhões de trabalhadores

Luana Neiva
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

 

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, criticou nesta quarta-feira (8) a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), de não colocar em pauta a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. As declarações foram feitas em entrevista à coluna de Igor Gadelha, do portal Metrópoles, durante o programa Acorda Metrópoles.

Boulos afirmou que a proposta representa, atualmente, a principal demanda da sociedade brasileira em tramitação no Congresso Nacional e avaliou que ela não pode permanecer parada por causa de divergências políticas entre os Poderes.

“O que não pode é interditar a discussão (…) que hoje é a principal pauta da sociedade brasileira que está no Legislativo. A principal pauta. Como é que ela pode ficar na gaveta por um gesto menor, uma birra, uma coisa de: ‘Ah, eu quero brigar com o Executivo’? Brigue com o Executivo, é normal. Aliás, é normal que o presidente do Senado ou o presidente da Câmara, que o Legislativo tenha críticas ao Executivo. E que representantes do Executivo tenham críticas ao Legislativo. Isso é parte do jogo democrático”, declarou.

Segundo o ministro, a demora na análise da proposta acaba prejudicando milhões de trabalhadores que poderiam ser beneficiados pela mudança. A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio e, desde então, aguarda apreciação no Senado.

Boulos argumentou que disputas políticas não deveriam impedir o avanço da matéria e afirmou que a população acompanha o impasse.

“O que eu acho que começa a ficar complicado é quando você pune milhões de pessoas por uma disputa política, uma disputa entre Poderes. E eu acho que a sociedade não aceita isso. Engana-se quem acha que a sociedade não está vendo”, disse.

Ao final da entrevista, o ministro fez um apelo público para que Davi Alcolumbre coloque a proposta em votação, independentemente da posição dos parlamentares sobre o mérito da PEC.

“Eu faço um apelo público ao presidente do Senado, senador Davi Alcolumbre: coloque para votar. Qual é a dificuldade de colocar para votar? Se ele é contra — não sei se é ou não, porque não se pronunciou —, vote contra. Se o Flávio Bolsonaro é contra lá no Senado, vote contra. Os senadores que são contra votem contra. Agora, a sociedade, o trabalhador brasileiro, tem o direito de saber”, afirmou.

Luana Neiva
Jornalista formada pela Estácio Bahia com experiências profissionais em redações, assessoria de imprensa e produção de rádio. Possui passagens no BNews, iBahia, Secom e Texto&Cia.

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