‘Collor terminou onde Dilma está agora’, diz Benito

    Deputado federal, que foi presidente de CPI que investigou Fernando Collor em 1992, afirma que pressão por impeachment de Dilma Rousseff já é maior

    Foto: Laycer Tomaz / Câmara dos Deputados

    Membro titular da comissão especial que avalia o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT), o deputado federal Benito Gama (PTB-BA) afirmou que a pressão pelo impedimento da petista é maior do que ocorreu com Fernando Collor de Mello, em 1992.

    “Eu penso que Collor terminou onde a presidente Dilma está agora começando. A onda hoje é muito maior do que na época. Nas últimas semanas do presidente Collor, ainda havia dúvidas de que poderia acontecer impeachment. Hoje, você vê uma crescente no Congresso e na população brasileira. A indicação de um processo de impedimento está cada dia mais clara”, disse Benito, em entrevista à Rádio Câmara.

    O petebista foi presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) responsável por investigar os fatos que levaram à saída de Collor. Para ele, a votação do processo de impeachment de Dilma deverá ocorrer dentro das próximas três semanas. Benito comparou ainda as bases de sustentação de Collor e Dilma. “Collor não tinha um partido forte, mas o entorno dele era de partidos fortes. Hoje, a presidente tem um partido consistente, mas o entorno é mais frágil”, opinou o parlamentar.

    Ao ser questionado sobre as manifestações contrárias ao impedimento de Dilma em todo o país, Benito disse que os atos representam uma minoria e são “um pouco artificiais”. “Os 10% que não querem o impeachment são fáceis de arregimentar em reuniões como aconteceu na semana passada e hoje. Só falta fazer sorteio de carro para as pessoas irem para a rua. […] A espontaneidade da população a favor do impeachment hoje é maior do que os caras pintadas”, declarou.