Publicado em 18/05/2021 às 18h31.

CPI da Covid pode quebrar sigilos de Carlos Bolsonaro e investigar ‘ministério paralelo’

Requerimento também pediu a convocação do empresário Carlos Wizard 

Paloma Teixeira
Foto: Renan Olaz/CMRJ
Foto: Renan Olaz/CMRJ

 

A CPI da Covid no Senado Federal deve investigar um possível “ministério paralelo da saúde”, que teria trabalhado com o governo federal para defender o uso de medicamentos sem eficácia contra o novo coronavírus. Por causa disso, a comissão recebeu na segunda (17) um requerimento para convocar o empresário Carlos Wizard e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) para depor.

Além disso, a CPI poderá pedir também a quebra dos sigilos telefônico, fiscal, bancário e telemático do empresário e do vereador. Os pedidos que sugerem a investigação foram assinados pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE). O parlamentar requer, por exemplo, a transferência de informações de plataformas como Google, WhatsApp, Facebook, Instagram, Messenger e Apple, além de dados mantidos pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

De acordo com o senador, Carlos Wizard seria um dos financiadores do “ministério paralelo da saúde”. Ao lado da médica Nise Yamaguchi, o empresário teria tentado alterar a bula da cloroquina por meio de decreto presidencial para incluir o tratamento contra a covid-19.

“Wizard defendeu publicamente o tratamento precoce contra o coronavírus e se posicionou contrariamente a medidas de confinamento, havendo indícios de que tenha mobilizado recursos financeiros para fortalecer a aceitação das medidas que o presidente da República julgava adequadas, mesmo sem qualquer comprovação científica”, argumentou.

Alessandro Vieira quer ainda investigar ainda a participação de Carlos Bolsonaro em uma reunião com representantes da Pfizer no Palácio do Planalto. “Causa espécie o fato de um vereador ser chamado a participar e opinar em decisões que devem ser tomadas pelo governo federal, com o apoio de especialistas em saúde. Faz-se necessário avaliar a movimentação financeira de Carlos Bolsonaro desde o início da pandemia, aferindo-se se houve acréscimo em seu patrimônio que tenha sido compatível com a sua capacidade econômica, de modo a afastar qualquer dúvida a respeito de eventual locupletamento ilícito”, disse.

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