Publicado em 17/05/2019 às 09h40.

Dilma diz que processará Bolsonaro por declaração nos EUA

Presidente afirmou que petista tem em sua história "mãos manchadas de sangue na luta armada"

Redação
Foto: PR
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A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) diz que processará cível e criminalmente o presidente Jair Bolsonaro (PSL) após ele afirmar que “quem até há pouco ocupava o governo teve em sua história suas mãos manchadas de sangue na luta armada”.

A declaração foi dada em viagem a Dallas, nos Estados Unidos.

O presidente se referia ao capitão do Exército americano Charles Rodney Chandler, assassinado, por grupos de esquerda que participavam da luta armada durante a ditadura militar, em outubro de 1968.

“Quem até há pouco ocupava o governo tinha suas mãos manchadas de sangue da luta armada, matando inclusive um capitão, como eu. Eu rendo homenagem aqui ao capitão Charles Chandler, um herói americano. Talvez um pouco esquecido na história, mas que escreveu sua história passando pelo Brasil”, discursou Bolsonaro, sem citar nomes.

Em nota divulgada na quinta (16), a petista rebateu o atual chefe do Palácio do Planalto: “Declaração mentirosa e caluniosa sobre minha história política”.

Dilma disse ainda que suas mãos estão “limpas e foram fortalecidas”.

“Minhas mãos estão limpas e foram fortalecidas, ao longo da vida, pela militância a favor da democracia, da justiça social e da soberania nacional. Foi esta luta que me levou à Presidência da República, cargo que honrei representando dignamente meu país, sem me curvar a qualquer potência estrangeira, respeitando todas as nações, da mais empobrecida à mais rica”.

Entre 1967 e 1972, Dilma militou em duas organizações de luta armada contra a ditadura, em São Paulo, no Rio e Rio Grande do Sul. Para fugir da perseguição da polícia e do Exército, usou documentos falsos, transportou armas e dinheiro roubado, foi presa, torturada e ficou quase três anos na cadeia. Não há registros, no entanto, de que Dilma tenha participado diretamente de ações armadas.

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