Publicado em 10/12/2016 às 11h03.

Geddel tentou usar Odebrecht para limar Souto, diz delator

Peemedebista tentou usar influência da empresa para vencer disputa com democrata pela cabeça de chapa

Rodrigo Aguiar
Foto: Valter Pontes/ Coperphoto
Foto: Valter Pontes/ Coperphoto

 

O ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) tentou usar a Odebrecht como trunfo na disputa com Paulo Souto (DEM) para ser candidato a governador em 2014, de acordo com o ex-executivo da empreiteira Cláudio Melo Filho – que relatou ter uma relação muito próxima com o peemedebista em sua delação premiada (ver aqui, aqui, aqui e aqui).

No pleito em questão, o peemedebista acabou como candidato ao Senado e o democrata saiu postulante ao Palácio de Ondina, mas foi derrotado por Rui Costa (PT).

“Em 2014, Geddel se colocava como candidato desde o início do ano, no intuito de anular Paulo Souto (DEM) e trazê-lo, junto com ACM Neto, para sua base de apoio. Quando Paulo Souto decidiu ser candidato, contrariando o desejo de Geddel ser o candidato da oposição, fato que o excluiria do certame, Geddel recorreu a mim, para que usasse a força da empresa no sentido de reverter essa decisão. Apesar dos esforços que foram feitos, Geddel acabou recuando e foi candidato ao Senado na chapa de Paulo Souto”, afirma Melo, em trecho de sua delação.

Ao exemplificar o nível de relacionamento que mantinha com Geddel, o ex-executivo da empreiteira relata: “Costumeiramente conversávamos em nossas casas e caminhávamos pela manhã pelo condomínio, momento em que conversávamos sobre temas diversos, inclusive os aqui relatados. Nossa relação era notória entre as pessoas da nossa convivência. Os caseiros das nossas casas no litoral são irmãos. Por isso, era comum que eles nos avisassem mutuamente da nossa presença no condomínio e de convites para visitas casuais”.

Cláudio Melo Filho e Geddel Vieira Lima são vizinhos no condomínio Interlagos, em Salvador.

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