Publicado em 18/06/2026 às 09h58.

Imóvel, viagens e ingressos: A relação de Wagner com Augusto Lima e o Master

O petista baiano aparece no centro de apurações que buscam esclarecer supostos benefícios recebidos de pessoas ligadas ao grupo

Redação
Foto: Montagem / Foto: Vaner Casaes / ALBA | Foto: Divulgação/PT

 

A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (18), elevou a temperatura política em torno das investigações que apuram a atuação do Banco Master e sua rede de influência junto a agentes públicos.

Embora o senador Jaques Wagner (PT-BA) não seja alvo direto de mandados, seu nome aparece no centro de apurações que buscam esclarecer supostos benefícios recebidos de pessoas ligadas ao grupo empresarial investigado.

Segundo documentos reunidos pela PF, os investigadores apuram uma série de movimentações financeiras e patrimoniais que teriam favorecido pessoas próximas ao parlamentar ao longo dos últimos anos.

De acordo com a colunista Malu Gaspar, de O Globo, segundo a PF, Wagner teria viajado com frequência nos jatos de Daniel Vorcaro e ainda recebido um apartamento de presente em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.

Entre as linhas de investigação está a suposta concessão de vantagens econômicas ao senador, com destaque para a aquisição do apartamento nº 1.702 do empreendimento Poème Horto, localizado no Horto Florestal, em Salvador, imóvel que, segundo os investigadores, integra um dos principais eixos apurados pela corporação.

Conforme reportagem da Globo News, também constam no relatório das investigações, pedidos de ingressos feitos pelo senador ao banqueiro para o show “Renaissance: A Film by Beyoncé”,  em Los Angeles (Califórnia/EUA), realizado no dia 25 de novembro de 2023.

Entre os elementos também estão sendo analisadas transferências milionárias para uma empresa vinculada à enteada do senador, além de registros de interlocução frequente entre Wagner e o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, apontado como um dos principais operadores do Banco Master.

As investigações também examinam a relação política construída entre integrantes do grupo empresarial e membros do Congresso Nacional. Um dos pontos sob análise é a atuação de parlamentares em propostas legislativas que poderiam beneficiar diretamente instituições financeiras com perfil semelhante ao do Master.

Entre elas está uma emenda apresentada durante discussões no Senado envolvendo mudanças na cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), tema considerado estratégico para o modelo de negócios da instituição.

A PF também investiga a possível concessão de vantagens patrimoniais a pessoas ligadas ao senador, incluindo o uso de aeronaves privadas e a aquisição de imóveis. Os fatos ainda estão sob apuração e integram um conjunto mais amplo de diligências destinadas a identificar eventuais contrapartidas políticas e financeiras dentro do esquema investigado.

Outro personagem que ganha protagonismo nesta fase da operação é Augusto Lima. Apontado pelos investigadores como responsável por articular relações institucionais e políticas do grupo empresarial, ele é considerado peça-chave para compreender como o Banco Master teria ampliado sua influência em diferentes esferas do poder público.

A ofensiva da PF representa mais um avanço sobre um caso que deixou de ser apenas uma investigação financeira e passou a atingir diretamente figuras de peso da política nacional. As apurações seguem em andamento e devem aprofundar a análise sobre a conexão entre interesses empresariais, movimentações financeiras e influência política.

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