Publicado em 27/05/2020 às 15h20.

Ministro do Supremo classifica ‘gabinete do ódio’ como associação criminosa

Alexandre de Moraes pede ainda a quebra de sigilos fiscal e bancário, além do bloqueio das redes sociais dos 17 suspeitos de financiar 'fake news'

Arivaldo Silva
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

 

Em nota do Supremo Tribunal Federal, o ministro Alexandre de Moraes classifica o “gabinete do ódio” como uma possível associação criminosa. “Gabinete do ódio” é apontado como um local dentro do Palácio do Planalto em que servidores alinhados ao presidente Jair Bolsonaro elaboram fake news contra adversários políticos”.

O texto informa que para chegar a essa conclusão o ministro levou em conta o depoimento dos deputados federais Alexandre Frota e Joice Hasselman, ex-aliados do presidente Jair Bolsonaro, além de diversas diligências no âmbito do Inquérito 4781, que tem o objeto de investigar notícias fraudulentas (fake news), falsas comunicações de crimes, denunciações caluniosas, ameaças e demais infrações, que atingem a honorabilidade e a segurança dos membros do STF; e a verificação da existência de esquemas de financiamento e divulgação em massa nas redes sociais, com o objetivo de lesar a independência do Poder Judiciário e ao Estado Democrático de Direito.

As investigações também apontaram que toda essa estrutura, aparentemente, estaria sendo financiada por empresários que, atuando de maneira velada, fornecem recursos das mais variadas formas para os integrantes dessa organização, inclusive impulsionando vídeos e materiais contendo ofensas e notícias falsas com o objetivo de desestabilizar as instituições democráticas e a independência dos poderes.

Na decisão, Moraes aponta cinco empresários como financiadores do esquema. “Toda essa estrutura, aparentemente, está sendo financiada por um grupo de empresários que, conforme os indícios constantes dos autos, atuaria de maneira velada fornecendo recursos (das mais variadas formas), para os integrantes dessa organização. Os indícios apontam para Edgard Gomes Corona, Luciano Hang, Otavio Oscar Fakhoury, Reinaldo Bianchi Junior e Winston Rodrigues“.

Quebra de sigilos e bloqueio de redes sociais

Moraes pede ainda a quebra de sigilos fiscal e bancário, além do bloqueio das redes sociais dos 17 suspeitos de financiar grupos de disseminação de notícias falsas e ataques a instituições nas redes sociais, durante o período entre julho de 2018 e abril de 2020.

Outros oito investigados, entre eles a deputada Carla Zambelli, integram a lista de relacionados a prestarem depoimento sobre as movimentações nas redes sociais durante o período. No mesmo documento, Moraes aponta ainda a expedição de ofício para as redes sociais a fim de que sejam preservados todos os conteúdos das postagens dos citados no inquérito.