Publicado em 04/07/2026 às 18h15.

Moraes manda apreender arsenal de Bolsonaro, incluindo fuzis, pistolas e espingardas

Ex-presidente terá de entregar as armas à Polícia Federal em até 48 horas após decisão do ministro do STF

Daniel Serrano
Foto: Reprodução / Redes Sociais

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou na sexta-feira (3) a apreensão de todas as armas registradas em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além da revogação de seu porte de arma e do Certificado de Registro (CR) de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC).

A decisão foi proferida no mesmo despacho em que Moraes manteve, por tempo indeterminado, a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro. O ministro estabeleceu prazo de 48 horas para que a defesa entregue o armamento à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.

Entre as armas que deverão ser recolhidas está uma pistola Glock calibre 9 mm, apreendida no último dia 15 de junho durante uma abordagem da Polícia Militar do Distrito Federal a um sargento do Exército que integrava a equipe de segurança do ex-presidente. O militar foi abordado a cerca de 33 quilômetros da residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar.

Além da Glock, Moraes determinou a apreensão de outras dez armas registradas em nome do ex-presidente, entre pistolas, carabinas, fuzis e espingardas, de calibres de uso permitido e restrito.

A relação de armamentos determinada pelo STF inclui:

  • Pistola Taurus calibre .380 (uso permitido);
  • Pistola Taurus calibre .40 Smith & Wesson (uso restrito);
  • Pistola Glock calibre 9×19 mm Parabellum (uso restrito);
  • Pistola Caracal calibre 9×19 mm;
  • Pistola Arex calibre 9×19 mm;
  • Pistola SIG Sauer calibre 9×19 mm;
  • Carabina/Fuzil Caracal calibre 5,56×45 mm;
  • Carabina/Fuzil Springfield Armory calibre 7,62×51 mm;
  • Espingarda Typhoon calibre 12;
  • Espingarda Maestro Arms calibre 12.

Na decisão, Moraes também determinou que a Polícia Federal seja comunicada imediatamente para adotar as providências necessárias à revogação do porte de arma e do registro de CAC do ex-presidente.

Apesar de manter as restrições relacionadas ao armamento, Alexandre de Moraes decidiu preservar a prisão domiciliar de Bolsonaro, acolhendo parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que concluiu não haver comprovação de falta grave capaz de justificar o retorno do ex-presidente ao regime fechado.

“A efetiva consumação da ‘falta grave’, entretanto, não foi comprovada”, registrou o ministro, ao citar o parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Moraes também destacou que Bolsonaro apresentou melhora no quadro clínico desde o início da prisão domiciliar, tanto em relação à broncopneumonia aspirativa quanto às demais comorbidades.

Na decisão, o ministro afirmou que a atual condição jurídica do ex-presidente é incompatível com a manutenção do direito de possuir armas de fogo.

Segundo Moraes, a legislação exige que o proprietário não responda a investigação criminal nem esteja cumprindo pena, requisitos que, no entendimento do magistrado, deixam de ser atendidos no caso de Bolsonaro.

As demais medidas cautelares permanecem em vigor, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de comunicação externa e o impedimento de utilização de redes sociais.

O ministro advertiu que eventual descumprimento das condições impostas poderá resultar na revogação da prisão domiciliar e no retorno imediato de Bolsonaro ao regime fechado.

Daniel Serrano
Daniel Serrano é baiano de Salvador e atua como repórter de Política no bahia.ba. com passagens pela TV da Câmara Municipal de Salvador e pelos sites Varela Notícias, Radar da Bahia, Política Ao Vivo e BNews.

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