Publicado em 11/04/2019 às 12h55.

No rastro de Brumadinho, as barragens geram disputa entre Arimateia e Alencar

O caso é que a Assembleia instalou também a Comissão Especial das Barragens. As competências embolaram

Levi Vasconcelos
Foto: Grafite do Brasil
Foto: Grafite do Brasil

 

A interdição da barragem de rejeitos da Grafite do Brasil em Maiquinique ontem subiu a cotação, já alta, da disputa pela paternidade política do diagnóstico e fiscalização das barragens baianas na Assembleia.

Logo após o rompimento de Brumadinho, os eleitos de 2018 tomaram posse. No calor da repercussão, a briga começou. Eleito presidente da Comissão de Meio Ambiente, o deputado José de Arimateia (PRB) adotou a causa, argumentando, com razão, que a questão é intrinsecamente ambiental.

O caso é que a Assembleia instalou também a Comissão Especial das Barragens, presidida pelo estreante Eduardo Alencar (PSD). As competências embolaram.

O Dia D

Arimateia diz estar cumprindo o dever dele com base num relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) que aponta as 12 barragens baianas mais críticas; Eduardo afirma que é médico e baseia seus atos em consultorias especializadas. Resultado: ontem as duas comissões deveriam funcionar simultaneamente. A de Alencar caiu por falta de quórum e a de Arimateia fluiu.

A briga vai ganhar gás. De 20 a 23 de maio, o CBDB (Comitê Brasileiro de Barragens) reunirá em Salvador, no Fiesta, especialistas nacionais e internacionais no XXXII Seminário Nacional de Grandes Barragens (SNGB) e II Simpósio Internacional de Segurança de Barragens (SISB). É lá que vai se ver quem vai dizer e convencer.

Cariacá, o perigo

De tanto o deputado Laerte do Vando (PSC) e o pai, o prefeito de Monte Santo, Vando (PSC), bradarem, o Dnocs mandou inspecionar a barragem de Cariacá. Conclusão: os técnicos constataram que há problemas, sim, como erosão de grandes proporções no canal de restituição do sangradouro. O nível de perigo foi classificado como atenção.

O Dnocs promete lançar edital para a obra ainda neste semestre. Vai custar em torno de R$ 5,5 milhões.

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

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