Prefeitos hesitam no Isolamento. Lá fora, quem hesitou, pagou caro

    Que Herzém Gusmão, de Vitória da Conquista, e os outros se mirem na lição de Milão

    Foto: Reprodução/Blog do Anderson
    Foto: Reprodução/Blog do Anderson

     

    Herzém Gusmão (MDB) – foto, prefeito de Vitória da Conquista, o homem que deletou o PT do poder lá após 24 anos de mando, é confesso simpatizante de Bolsonaro. Agora, na crise do corona, ele decretou o isolamento. Flexibilizou, depois recuou.

    A questão: teria Herzem, como Marcelo Crivela, no Rio, agido politicamente com a pretensão de agradar Bolsonaro? Pode ter isso, mas não é só isso. Prefeitos dos quatro cantos da Bahia vivem dias de intensa pressão. De um lado, para tentar conter o corona. De outro, com a pressão de líderes empresariais pela abertura.

    Repeteco

    Curioso é que essa mesmíssima situação já foi vivida pelos países da Europa agora afetados. Milão, na Itália, é um caso emblemático. Lá, em fevereiro, o prefeito Giuseppe Salla conclamou o povo a ir às ruas com a campanha ‘Milão não para’. Um mês depois, com 4,4 mil mortos nas estatísticas, pediu desculpas.

    Eures Ribeiro (PSD), prefeito de Bom Jesus da Lapa e presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), diz que os prefeitos têm autoridade limitada. Não podem interferir, por exemplo, em questões de transporte. Mas a favor do isolamento, ele ressalva:

    — Sabemos que o prejuízo é enorme em todos os segmentos, mas os esforços que estamos fazendo são para evitar o pior: um cenário cheio de mortos fazendo fila em cemitério.

    Que Herzém e os outros se mirem na lição de Milão.