Publicado em 23/04/2026 às 14h39.

Roma vê ‘aparelhamento do Estado’ após fuga em presídio na Bahia

Ex-ministro também direcionou críticas ao ministro da Casa Civil, Rui Costa

Redação
Foto: Sidney Haack

 

O ex-ministro da Cidadania e pré-candidato ao Senado, João Roma (PL), afirmou que a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis expõe um suposto “aparelhamento do Estado” na Bahia, com reflexos diretos na segurança pública.

A declaração foi feita nesta quinta-feira (23), durante entrevista a rádio Antena 1. A fala ocorre após a ex-diretora da unidade, Joneuma Neres, admitir em delação que facilitou a fuga, além de relatar indicações políticas para cargos, concessão de regalias a presos e negociações financeiras.

Para Roma, o episódio deve ser analisado dentro de um cenário mais amplo. “Os absurdos acontecem dentro de um aparelhamento de Estado”, afirmou. “É fundamental que a gente consiga ter compreensão disso tudo, para que tenhamos uma sociedade realmente com dignidade, livre de certos arranjos que são muito corrosivos no nosso cotidiano”, completou.

O ex-ministro também direcionou críticas ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, a quem atribuiu práticas políticas que classificou como “crocodilagem”. Segundo ele, há desarmonia interna no grupo governista na Bahia.

“Eu não estou vendo essa união, pelo contrário. Eu estou vendo muita rasteira, muita crocodilagem, digamos assim, do lado do PT. Você vê Rui Costa muito interessado em resolver o próprio umbigo, dando rasteira em Jaques Wagner toda hora, criando situações que vão constrangendo pessoas dentro do próprio governo”, disse.

Roma ainda criticou a gestão de Rui Costa à frente do governo estadual. “Rui Costa passou oito anos hospedado no Palácio de Ondina e na saída deixou de presente para nós, os baianos, aumento de imposto linear. A Bahia hoje é um dos estados que mais tem a carga tributária mais elevada do Brasil”, afirmou.

Em tom mais duro, o ex-ministro questionou a postura política do ex-governador. “Rui é um grande amigo da onça, que eu tenho sempre lembrado. Não dá um bom dia a ninguém e tenta dar rasteira nos amigos. Na última eleição chamou Wagner de ‘vagareza’, claramente atacando quem colocou ele na posição. Quando Lula estava preso, foi para a revista Veja dizer ‘página virada’, mas depois correu atrás de emprego com Lula”, declarou.

Ao tratar do cenário eleitoral, Roma disse que o campo da direita estaria mais organizado no estado, em contraste com disputas internas no PT. “Você vê a direita toda unida no estado da Bahia, diferente do PT, que ainda bate cabeça lá, tem uma pré-candidatura do PSOL e por aí vai. O PT está brigando muito internamente e isso possibilitou muitas mudanças, inclusive a chegada de Angelo Coronel, fortalecendo a nossa caminhada. Eles deram uma rasteira em Angelo Coronel rifaram o direito legítimo que ele teria de concorrer à sua reeleição e isso viabilizou outro momento político na Bahia”, afirmou.

Segundo ele, as divergências dentro do grupo governista refletem o desgaste após duas décadas no poder. “São 20 anos de governos do PT na Bahia, então hoje é a disputa de Rui Costa com Jaques Wagner; problemas internos da administração Jerônimo, que é uma administração que tem muitas dificuldades, não consegue entregar o que promete. São 20 anos de PT com bonitas promessas, bonitas propagandas na televisão, mas não consegue entregar o que promete. Rui Costa é o ‘amigo da onça’ que tenta dar rasteira nos amigos”, concluiu.

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