Publicado em 25/11/2015 às 13h00.

Baianas de acarajé vestem laranja pelo fim da violência contra mulher

Conhecidas como um dos maiores ícones da​ ​nossa cultura, as Baianas de Acarajé celebram seu dia nesta quarta-feira (25) ​

Rebeca Bastos
Baianas na missa em homenagem ao seu dia e na fila para ganharem turbante. Foto: Rebeca Bastos/Bahia.ba
Baianas na missa em homenagem ao seu dia e na fila para ganharem turbante. Foto: Rebeca Bastos/Bahia.ba

A tradicional missa na Nossa Igreja do Rosário dos Pretos, seguida por um cortejo pelas ruas do Pelourinho, marcaram as primeiras atividades do Dia da Baiana de Acarajé​, celebrado nesta quarta-feira (25). No entanto, este ano algo diferente chamou atenção de todos, muitas baianas vestiam laranja, cor chamativa e destacada sobre a alvura costumeira de suas vestes. Mas isso não tem nada a ver com moda ou acaso e sim com ativismo e mobilização social. É que ​em 2015, as baianas de acarajé uniram forças e se juntaram a Campanha dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher, que está sendo lançada hoje, Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher e segue até o dia 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

No estado as instituições envolvidas na ação são as Secretarias de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e a de Política para as Mulheres (SPM). Presente na missa e no cortejo, Olívia Santana, gestora da SPM, reforçou que a luta contra o racismo e contra o machismo não deve ficar restritas as mulheres negras, mas sim fazer parte do cotidiano de todo mundo. “Precisamos é que religiosos, movimentos sociais, estudantes, e todos os cidadãos se levantem da inércia contra o machismo que tira a vida de 13 brasileiras por dia”, convocou. Ainda de acordo com Olívia, a data de lançamento da campanha foi escolhida a dedo na Bahia, uma vez que as baianas são também símbolo da atitude da mulher guerreira e mãe que sustenta a família com seu trabalho.

Resistência- ​Baiana de acarajé há 45 anos, Elizete Pereira dos Santos, diz que esse ofício só te deu alegria e garantiu o sustento de seus filhos. Praticante do candomblé ela mantém de pé o rito de ofertar os bolinhos para os orixás diariamente. Sobre os bolinhos de Jesus, ​adotados pelos evangélicos, ​ela não quer nem falar, tamanha a indignação que isso causa: “não existe isso de bolinho de Jesus, acarajé é uma oferenda que todo mundo pode comer, é a nossa cultura e identidade e é feito pra todo mundo comer, sem distinção”, pontuou.

Assistindo o cortejo passar com adornos laranjas, a artista plástica argentina, Lili Sanches​ não entendeu de primeira o por quê, mas ao ao ser informada que a cor é símbolo mundialmente utilizado para remeter à causa, concordou prontamente. Lili, que que tem o Centro Histórico de Salvador e seus personagens como inspiração, conta que todos os anos acompanha as celebrações das baianas como forma de dar início as comemorações do seu aniversário, festejado no mesmo dia. “A data serve para reconhecer a importância dessas mulheres que produzem o principal ícone da cultura e culinária baiana, o acarajé, nada mais justo”, resume.

Programação continua:

10h Celebração Religiosa – Igreja do Rosário dos Pretos
12h Show Bicho da Cana – Memorial das Baianas
13h30 Samba de Roda Raízes do Sertão – Memorial das Baianas
15h Samba de Roda Urbano – Memorial das Baianas
16h30 Grupo Movimento – Memorial das Baianas