Publicado em 06/04/2016 às 09h20.

Motorista que teve perna amputada não se arrepende de reação

Acidente ocorreu na Avenida Vasco da Gama, no dia 23 de março e deixou 22 pessoas feridas

Redação
Ônibus bateu em poste na Avenida Vasco da Gama, deixando passageiros feridos (Fotos: Wadson Lima)
Ônibus bateu em poste na Avenida Vasco da Gama, deixando passageiros feridos (Fotos: Wadson Lima)

 

Após 14 dias do acidente que deixou 22 pessoas feridas, o motorista de ônibus Jenilton Souza Santos, 40 anos, que teve sua perna direita amputada, não se arrepende de sua reação, que que acabou salvando dezenas de vidas.  Em entrevista ao jornal Correio, ele fala sobre o momento do grave acidente, que ocorreu no último dia 23, na Avenida Vasco da Gama. Jenilton conduzia o ônibus da linha IAPI x Barra, quando um caminhão de lixo o “fechou” e ele terminou colidindo o veículo em um poste.

“Em nenhum momento me arrependo do que eu fiz porque, graças a Deus, realmente eu pude salvar outras pessoas. É o instinto, né, o instinto do motorista, você tentar livrar-se do perigo”, afirmou à reportagem.

O acidente grave foi o primeiro em seis anos de profissão de Jenilton. “Eu só vi um vulto na minha frente e não identifiquei. Quando puxei pra esquerda, vi a roda do carro bater no meio-fio. Foi quando veio o choque. Passageiros e o cobrador disseram pra mim que tinha sido um caminhão de lixo”, lembrou o motorista, que ficou preso às ferragens e, para ser retirado de lá, teve a perna direita amputada.

Duas semanas depois do acidente, o rodoviário mudou completamente a sua rotina mas, no entanto, continua com o sorriso no rosto e expressando tranquilidade. Ele ainda não parou para pensar em como será para fazer atividades, uma vez que, para chegar ao ponto de ônibus, é preciso caminhar mais de mil metros, já que não há transporte público na rua onde mora.

O rodoviário é natural de Ilhéus, no Sul da Bahia, e é casado há 18 anos com a vendedora Lourilene Nunes Santos, 45. O apoio dos amigos e familiares neste momento é um dos grandes agradecimentos de Jenilton. “Uma coisa que tá me fortalecendo muito é isso, é amizade, é a família rodoviária, que tá ali o tempo todo colada. Mandaram mensagem para minha mulher dizendo que iam disponibilizar um ônibus para vir pra cá, e ela disse ‘não, pelo amor de Deus, vai ser muita gente’. Ela fica o tempo todo querendo me preservar”, brinca, rindo, Jenilton.

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