Publicado em 01/10/2018 às 15h00.

Toffoli diz que se refere à ditadura militar como ‘movimento de 1964’

“Hoje, não me refiro nem mais a golpe nem a revolução", afirmou presidente do STF, em seminário sobre os 30 anos da Constituição de 1988.

Redação
Foto: Fellipe Sampaio/STF
Foto: Fellipe Sampaio/STF

 

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, disse que hoje se refere ao período da ditadura militar como “movimento de 1964”, em discurso no seminário sobre os 30 anos da Constituição de 1988. As informações são da Folha.

Ao falar do período da ditadura militar, Toffoli citou textos do historiador Daniel Aarão Reis e defendeu que tanto a esquerda quanto a direita conservadora, naquele período, tiveram a conveniência de não assumir erros que antecederam 1964, passando a atribuir os problemas aos militares.

“Hoje, não me refiro nem mais a golpe nem a revolução. Me refiro a movimento de 1964”, afirmou Toffoli, citando um aprendizado que teve com o ministro da Justiça, Torquato Jardim.

Toffoli ainda traçou um longo histórico do sistema político e partidário brasileiro que, para ele, desde sua origem atenderia a interesses locais e setorizados, sem capacidade de apresentar propostas nacionais.

Para o presidente do Supremo, partidos com orientação ideológica “hoje, se mostram órfãos de qualquer tipo de posicionamento do ponto de vista político, filosófico e institucional”.

A longevidade da Constituição, segundo Toffoli, simbolizaria a estabilidade das instituições políticas e jurídicas do país e precisa ser defendida. A Carta, para ele, é resultado de um pacto que teria dado voz “àqueles que foram, por décadas, excluídos da participação dos direitos reais de igualdade não só perante à lei, mas na própria lei”.