Temer tenta fingir que está tudo bem, mas vive o seu pior momento

    Governistas querem que Temer fique e arriscam: 5 a 2.Já os oposicionistas dizem que, se o TSE julgar juridicamente e não politicamente, a fatura está liquidada

    Frase da vez

    “Avalia-se a inteligência de um indivíduo pela quantidade de incertezas que ele é capaz de suportar.”
    Immanuel Kant, alemão, tido como o principal filósofo da era moderna (1724-1804)

    Foto: Lula Marques/PT
    Foto: Lula Marques/PT

    Michel Temer é um sujeito que, nos seus momentos ruins, tenta fingir que está tudo bem, como se estivesse passando uma esponja na sujeira da mesa para o café seguir em frente.

    Assim fez nas delações da Odebrecht, quando foi citado por ter negociado R$ 40 milhões para o PMDB. Disse ele:

    — Tá bem. Quem falou o que quis já falou, vamos em frente.

    Tentou o mesmo após o caso Joesley Batista, da JBS. A estratégia era botar o Congresso, Câmara e Senado, para trabalhar normalmente, como se nada estivesse acontecendo.

    Câmara e Senado até funcionam, mas estão anestesiadas pelo estrondo do efeito Joesley, que agora recebeu o poderoso tempero do julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE.

    No que vai dar é uma incerteza. Só há de certo que Temer não dorme. Até porque, além de perder o mandato, há o medo da cadeia, o que seria a suprema desmoralização, o primeiro ex-presidente a ir para a cadeia na história.

    No primeiro dia de julgamento o ministro Hernan Benjamin, relator, sinalizou que vota pela cassação.

    Divisão parlamentar

    Deputados e senadores estão divididos na torcida sobre o resultado do julgamento do TSE. Os governistas querem que Temer fique e até arriscam um placar: 5 a 2.

    Já os oposicionistas dizem que, se o TSE julgar juridicamente e não politicamente, como assegurou o presidente Gilmar Mendes, a fatura está liquidada: o governo acaba aí.