Rui, Neto e o metrô de Salvador: senhores, o povo pede passagem

    Na rua, o metrô está nos trilhos, nos gabinetes falta entrar. E deixem 2018 para 2018, diz Levi Vasconcelos

    Frase da vez

    “A vaidade é um princípio de corrupção.”
    Machado de Assis, escritor, um dos gigantes da literatura brasileira (1839-1908)

    Foto: Amanda Oliveira/GOVBA
    Foto: Amanda Oliveira/GOVBA

     

    Rui Costa e ACM Neto são os potenciais adversários de 2018. Pois que você evoque Deus, os orixás, os santos para que a pendenga em torno da integração do metrô não seja picuinha eleitoral, jogar para a plateia.

    O metrô de Salvador parece destinado a impor pesados sofrimentos aos soteropolitanos, pretensos beneficiários. Começou lá em 2000 para ir da Lapa a Pirajá por R$ 280 milhões. O preço saltou para R$ 400 milhões, depois R$ 600 milhões acabou em R$ 1,2 bilhão e não foi a lugar algum.

    As construtoras Andrade Gutiérrez e Camargo Correia, que formaram o consórcio da obra, foram fisgadas sobre a propinagem do metrô de Salvador na Operação Castelo de Areia. Nada valeu. A Justiça considerou a operação da PF ilegal. É a justiça, a lei ou o arcabouço institucional, como queiram, servindo para tamponar crimes.

    Mas assim. Ainda secretário de Jaques Wagner, Rui Costa conseguiu pegar a parte podre e empurrar para quem de direito e formatar um novo projeto. O metrô era controlado pela Prefeitura de Salvador. ACM Neto passou a bola.

    Ora senhores governantes. O metrô agora é irreversível. É um bem para a cidade. Em jogos do Bahia das tardes de domingo, em frente ao Fórum do Imbuí, só movimentado dias de semana, fica cheio de carros. São torcedores tricolores que deixam o carro lá e vão de metrô. É rápido, não engarrafa, não tem problema de estacionamento, é mais conforto.

    Os soteropolitanos ficariam muito felizes se Rui e Neto ajustassem os ponteiros focando unicamente o bem comum. Na rua, o metrô está nos trilhos, nos gabinetes falta entrar. E deixem 2018 para 2018.