Petrobras não investigou cartel porque não foi notificada, diz Gabrielli

    Ex-presidente da Petrobras prestou depoimento ao juiz Sérgio Moro como testemunha de Lula em ação penal

    Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado

    O ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli disse nesta segunda-feira (3), em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, que a empresa não instaurou procedimentos para apurar suposta formação de cartel porque “não foi notificada” sobre as suspeitas, investigadas na Operação Castelo de Areia, que “a imprensa toda divulgou”, de acordo com o ex-dirigente.

    Diretores da Camargo Corrêa chegaram a ser presos no âmbito da operação, anterior à Lava Jato. A Castelo de Areia foi anulada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), por entender que as provas contra os acusados foram conseguidas por meio de denúncias anônimas.

    Durante o depoimento desta segunda, Gabrielli foi interrogado como testemunha do ex-presidente Lula, em ação na qual o petista é réu por supostamente aceitar da Odebrecht a compra de um terreno em São Paulo, onde seria construída a sede do seu instituto.

    O Ministério Público alega que os valores para a aquisição do imóvel são oriundos de propinas de contratos da Petrobras. A defesa de Lula nega.

    Na audiência, o ex-presidente da Petrobras foi perguntado sobre o motivo de a estatal não ter identificado, por meio de auditorias internas, o “macro esquema de corrupção” existente na empresa.

    Gabrielli respondeu que os réus confessos e agentes públicos condenados na Lava Jato “fizeram todas as operações fraudulentas fora dos sistemas da Petrobras”.

    “Eles [ex-agentes públicos condenados] o fizeram respeitando os limites admitidos pelos procedimentos internos da Petrobras e realizando as operações de transações de valores com empresas interpostas, com terceiras quartas e quintas empresas. Isso sequer era de conhecimento da Petrobras. Portanto, era impossível que o sistema de controle interno capturasse esses problemas”, declarou.

    Ao rebater, o procurador mencionou a Castelo de Areia, deflagrada em meados de 2009, e questionou a ausência de inquérito interno para apurar a suspeita de cartel, investigada na operação.

    O ex-presidente da Petrobras declarou que, na época, não foi “consultado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público” sobre os fatos. “A imprensa toda divulgou. Mas a Petrobras não foi consultada sobre o assunto”, disse. Com informações do Estadão.