Com Geddel fora de cena, além de Temer, ACM Neto também perde

    A prisão carimba a saída de cena de um personagem que até 2014 tinha influência importante na política baiana, hoje aliado dele

    Frase da vez

    “Para o homem complicado, quase tudo é uma nova complicação.”
    Alessandro Manzoni, escritor italiano (1785-1873).

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    Geddel sempre quis ser governador da Bahia, está tendo um final político que jamais imaginou. Deputado federal em 1991, pelo PMDB, teve um total de cinco mandatos, 20 anos, sempre PMDB, o que lhe cacifou com bom trânsito na esfera federal.

    Esse bom trânsito virou céu e inferno.

    Céu porque Geddel sempre imperou no PMDB baiano, partido que nos últimos tempos só tinha ele, e agora também o irmão, Lúcio, como deputado federal. Mesmo assim, ficou senhor absoluto do maior partido do Brasil, com 63 deputados federais contra 58 do PT e 46 do PSDB.

    E inferno porque a estreita convivência com Michel Temer amealhada ao longo dos anos lhe deu a condição de ministro que se engasgou com um edifício na Ladeira da Barra e derrapou feio, ao ligar para a mulher de Lúcio Funaro, preso, tido como homem forte de Eduardo Cunha. Está preso.

    E aí quem perde é ACM Neto. A prisão carimba a saída de cena de um personagem que até 2014 tinha influência importante na política baiana, hoje aliado dele, além de Temer, que já vive em um inferno astral, e agora tem o amigo Geddel como tempestade da vez.

    Com Wagner

    Geddel sempre foi adversário de ACM, com que travava brigas homéricas. Ironia: hoje, é aliado fidagal de ACM Neto. Em 2006, se aliou com Jaques Wagner e impôs uma derrota a Paulo Souto, governador e aliado de ACM.

    Assim que Wagner tomou posse viu o partido inchar, com a migração massiva para a legenda de prefeitos e lideranças do interior, as viúvas do carlismo.

    Errou o cálculo. Rompeu com Wagner pensando em disputar o governo. Se deu mal. Wagner articulou com Otto Alencar e João Leão, as viúvas que antes lhe abraçavam, lhe deixaram quase só. Em 2010 sofreu uma pesada derrota e em 2014 se uniu com Neto, disputando o Senado.

    Amigo de Temer, a ascensão dele como ministro significou o descortinar de portas abertas para muitos baianos. O sonho virou pesadelo.

    Pouca surpresa

    A prisão de Geddel já era de certa forma esperada, mas teria acontecido ontem, segundo amigos e aliados dele, por uma razão elementar: as forças que querem tocar a Lava Jato dê no quer der, precisavam fazer um contraponto a Michel Temer depois que a liberação de Aécio Neves e Rodrigo Rocha Loures, semana passada, soou como bálsamos para o governo.

    Ainda mais agora, que Temer está acuado com a denúncia de Janot na Câmara.

    Nilo em cena

    Assim que perdeu a eleição do ano passado pra prefeito de Guanambi, o ex-governador Nilo Coelho anunciou que estaria pendurando as chuteiras. Mas lá no Sudeste é voz corrente que ele pode ser o vice de ACM Neto em 2018.