Odebrecht tenta recuperar a credibilidade depois de lavar roupa suja e pedir perdão

    Antes da crise, diz a empresa, o nível de credibilidade era de 65%. Com a Lava Jato, desabou para 16,9%

    Frase da vez

    “Dignidade perdida não é um bem que pode ser recuperado imediatamente. É quase tão doloroso quanto a lenta recuperação de afogar-se.”
    Hector Hugh Munro, escritor britânico, mais conhecido como Saki (1870-1916)

    Foto: Agência Brasil
    Foto: Agência Brasil

     

    A Odebrecht reuniu jornalistas pela manhã e funcionários à tarde ontem para dar um recado curto e objetivo: errou, achou que cumpriu o dever ao delatar, pediu desculpas, e agora pretende resgatar a imagem seriamente arranhada com a Lava Jato.

    Antes da crise, diz a empresa, o nível de credibilidade era de 65%. Com a Lava Jato, desabou para 16,9%. Busca resgatar os 65%, uma reconstrução de imagem prevista para ser alcançada nos próximos quatro anos.

    É a briga pelo direito de existir, de conviver influenciando e sofrendo influência, como diz Olga Pontes, diretora de Conformidade da Odebrecht, que realiza um périplo pelo país nas principais unidades de negócios do grupo (são dez ramos) apresentando o ambiente de compliance (diretrizes do ponto de vista ético), baseada nas melhores práticas mundiais.

    Ela diz que o grupo considera a data do início da nova era 22 de março do ano passado. A palavra está dada:

    — Recuperar a confiança. É o desafio.

    A Odebrecht tinha, antes da crise, 180 mil funcionários. Hoje tem 80 mil. Perdeu. Mas na refrega da Lava jato é a primeira que fala em moralidade plena, custe o que custar.

    O resto vai levando a vidinha de sempre.