Relatório pode causar ‘estragos’ na base, avaliam auxiliares de Temer

    O Planalto também repudiou a afirmação de Zveiter de que a denúncia "não é inepta"

    Foto: Beto Barata/ PR

    Após ver na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) um relatório que aponta para o acolhimento da denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ser lido pelo deputado Sergio Zveiter, o presidente Michel Temer (PMDB) avaliou que o documento pode “causar estragos” na base aliada.

    De acordo com o Estadão, o presidente afirmou que o documento estava “dentro do esperado”, mas se chateou com alguns trechos. Ao lado de assessores e dos ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), Temer acompanhou a leitura do voto de Zveiter pela televisão de seu gabinete no terceiro andar do Planalto.

    O peemedebista recebeu ao longo do dia o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), o subsecretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha, e seu advogado Antônio Claudio Mariz de Oliveira.

    O presidente ficou contrariado quando o relator da denúncia disse que era preciso apurar seu envolvimento no recebimento dos R$ 500 mil entregues por um executivo da J&F a seu ex-assessor especial e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), filmado ao sair de uma pizzaria em São Paulo com uma mala com o dinheiro. Para Temer e seus auxiliares, não há como fazer a relação de causa-efeito, e o relator, por ser um advogado, na opinião deles, deveria evitá-la.

    A reportagem apurou que o Planalto também repudiou a afirmação de Zveiter de que a denúncia “não é inepta” – um dos argumentos de Mariz. Além disso, causou incômodo a Temer e seus auxiliares a alegação do relator de que, “no mínimo, há indícios de prática delituosa” e “os indícios contra o presidente são sérios e suficientes”.