Aliados de Rui e Neto usam microfones do Congresso para embate eleitoral

    Discussão entre deputados baianos quase acabou em agressão física no plenário da Câmara

    Foto: Divulgação/Democratas Liderença

    A pouco mais de um ano para eleição, os parlamentares baianos têm usado os microfones da Câmara dos Deputados para defender ou criticar os projetos do governador Rui Costa (PT) ou do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), prováveis adversários ao Palácio de Ondina, em 2018.

    Na semana passada, o democrata José Carlos Aleluia (DEM) chegou a subir ao púlpito da Casa para dizer que “o desespero do governador Rui Costa” o levou a “estabelecer um calendário para os deputados do PT se revezarem na tribuna tentando falar mal da administração de ACM Neto”.

    Ainda na sua fala, o aliado do chefe do Palácio Thomé de Souza comparou o gestor estadual à rainha da fábula “A bela adormecida”. “[Rui Costa] olha todo dia no espelho e pergunta: espelho, espelho meu, tem alguém mais querido do que eu? E aparece do outro lado do espelho, ACM Neto”, provocou.

    Um dos baianos que mais têm o hábito de usar o microfone para o embate eleitoral é Robinson Almeida (PT), que já foi secretário de Comunicação na administração do antecessor de Rui, Jaques Wagner.

    Na semana passada, o petista chamou ACM Neto de “usurpador”, ao acusar o prefeito de “atrapalhar” o andamento da construção do metrô da capital baiana. “Não faz uma obra estruturante na cidade”, criticou.

    No início de julho, Almeida já havia falado, no plenário, que Neto era “aliado de primeira hora” do ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB), que tinha sido preso pela Polícia Federal três dias antes. “Veio às pressas ontem para Brasília para ver a repercussão dessa prisão sob o seu governo e a prefeitura de Salvador”, atacou.

    Já o deputado federal Jorge Solla (PT) também criticou, na tribuna, o gestor municipal. “Nós estamos vivendo, esses últimos dias, em Salvador, uma situação suis generis. O prefeito, que tem uma vasta tradição na sua família de corrupção, de autoritarismo, de controle da máquina pública, de montar um império de comunicação com salário de funcionário público, […] agora tem se movimentado para tentar impedir que as obras do metrô de Salvador cumpram o cronograma, que o metrô chegue ao aeroporto, que amplie a capacidade de atender os usuários”, condenou.

    A crítica de deputados baianos aos prováveis adversários no próximo ano quase já acabou em agressão física. A briga começou quando o tucano João Gualberto defendeu, em plenário, a prisão do governador Rui Costa, por não cumprir uma decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) de prestar informações quanto à quilometragem de rodovias reformadas e construídas na gestão petista.

    Em defesa do chefe do Palácio de Ondina, Solla xingou Gualberto, ex-prefeito de Mata de São João. Após o discurso, o clima esquentou ainda mais e petista e tucano, de dedo em riste, trocaram acusações de “grileiro” e “ladrão”.