E a reforma política, como está indo? Se embaraçou na disputa por dinheiro

    Diz Vicente Cândido que os interesses partidários estão se sobrepujando ao conjunto: "A discussão se restringe a quanto cada partido vai ter para gastar na campanha"

    Frase da vez

    “O dinheiro não modifica o homem, apenas o desmascara.”
    Henry Ford, empresário norte-americano fundador da Ford (1863-1947)

    Foto: Divulgação
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    Vicente Cândido (PT-SP), deputado que faz a relatoria da Comissão da Reforma Política (aquele que sugeriu a emenda impedindo a prisão de candidatos oito meses antes do pleito), chegou a Salvador em meados de março para uma audiência pública na Assembleia bastante otimista.

    – A reforma sai porque é uma questão de necessidade. Ou vai ou racha.

    Rachou, ao que parece. Hoje Vicente Cândido é o retrato da desilusão.

    – A discussão se restringe a quanto cada partido vai ter para gastar na campanha.

    Diz ele que os interesses partidários estão se sobrepujando ao conjunto. Eis a questão: até 2014 o dinheiro jorrava fácil das tetas das construtoras e assim a campanha foi feita. Segundo dados do TSE, as doações declaradas totalizaram algo em torno de R$ 20 bilhões distribuídos entre 18 mil candidatos ao governo, Senado e deputados pelo país afora, sem contar o caixa 2, que era sempre gordo como se vê na Lava Jato.

    Já está acertado o preço da conta, R$ 5,5 bilhões via Fundo Partidário.

    Em suma, o projeto não andou por conta da Lava Jato e lá em Brasília é tempo de murici, cada um cuidando de si.

    Caixa 3

    É só fazer a conta: se em 2014 custou R$ 18 bi, óbvio que R$ 5,5 bi é dinheiro curto para o propósito. Alguns políticos ainda fazem mea culpa, lamentando tirar dinheiro de escolas e hospitais para isso.

    Os defensores dizem que no esquema anterior também se tirava dinheiro de escolas e hospitais.
    Mas, pior que isso, o cenário abre espaços para o caixa 3, o dinheiro do crime organizado. O senador Otto Alencar (PSD) diz não ter a menor dúvida:

    – No Rio já está assim há muito tempo. E a Cidade Maravilhosa, que é uma vitrine do Brasil, está espalhando a expertise. Esse seria o pior cenário. Sairíamos das urnas pior do que estamos.