JBS pagou propina a políticos baianos em 2010 e 2014, diz revista

    Os documentos revelados mostram ainda como a empresa organizava pagamentos de Caixa 2

    Um das principais personagens da Operação Lava Jato, a JBS – comandada por Wesley e Joesley Batista – afirma ter pagado caixa 2 a políticos baianos em 2010 e 2014, de acordo com a revista Época.

    Segundo a publicação, em 2010 o grupo destinou R$ 99 milhões a políticos da Bahia e mais 24 estados. Em 2014, o valor cresceu: R$ 579 milhões. O dinheiro não declarado teria abastecido candidaturas em todo Brasil.

    Os documentos revelados pela Época mostram ainda como a empresa organizava pagamentos a políticos. As planilhas com a contabilidade detalhada fazem parte do material que a empresa entregará à Procuradoria-Geral da República como parte de seu acordo de delação.

    As tabelas têm informações que abrangem desde a eleição municipal de 2006 até a campanha de 2014. Nos últimos 11 anos, os repasses chegaram a R$ 1,1 bilhão, de acordo com os papéis. A empresa também apresentará comprovantes bancários, notas fiscais e contratos.

    A pedido do presidente Michel Temer (PMDB), diz a revista, foram distribuídos R$ 21,7 milhões para aliados. Também são mencionados o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com recebimento de R$ 50 milhões, e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), com R$ 18 milhões, entre outros. Para o PT, de acordo com os documentos, foram US$ 151 milhões pagos no exterior e R$ 111,7 milhões no Brasil.

    O executivo Ricardo Saud, delator da JBS, já havia revelado o pagamento de propina a 1.829 candidatos eleitos.

    Procurados, os políticos citados negaram envolvimento no esquema e afirmaram só receber doações legais.