E dinheiro para a campanha de 2018? Eis a questão: o crime está na espreita

    A reforma política foi atropelada pela Lava Jato. Agora, corre-se contra o tempo para aprovar, a toque de caixa, uma alternativa

    Frase da vez

    “A liberdade de eleições permite que você escolha o molho com o qual será devorado.”
    Eduardo Galeano, escritor uruguaio (1940-2015)

    Foto: Robson Mendes / SECOM-PMS
    Foto: Robson Mendes / SECOM-PMS

     

    Dos 1.628 que disputaram as eleições para vereador no Rio de Janeiro no ano passado, 13 foram assassinados. E destes, a suspeita é a de que 11 casos tinham conotação política. Ou seja, literalmente, matando a concorrência.

    O medo, como bem ressalta o senador Otto Alencar (PSD), é que o modelo carioca se alastre pelo país, já que em 2018 não vai ter dinheiro de empresas, o que escancara a porta das disputas políticas para o crime organizado. Até agora, não apareceu no horizonte nenhum sinal de uma saída.

    A reforma política foi atropelada pela Lava Jato. Agora, corre-se contra o tempo para aprovar, a toque de caixa, uma alternativa. Ela tem que está aprovada até 7 de outubro. Ou então, fica como está, que não dá.

    Proposta – O projeto de reforma que está na Câmara prevê que 0,5% da Receita Corrente Líquida da União vai formar o Fundo Especial de Financiamento da Democracia (FFD), o que dá em torno de R$ 3,6 bilhões, dinheiro a ser rateado da seguinte forma: 50% para as campanhas majoritárias (presidente, governador e senador), 30% para deputado federal e 20% para as dos estaduais.

    Ainda tem o rateio entre os partidos, com 2% distribuídos igualitariamente entre todos, 49% pela proporção de votos que cada um recebeu em 2014 para a Câmara; 14% conforme o número de senadores e 35% com o número de deputados federais. É caro para o povo, mas pouco para bancar a festa.

    Consenso zero

    O esboço do projeto deveria ser votado ontem na Câmara. Foi adiado. Lúcio Vieira Lima (PMDB), o presidente da Comissão da Reforma, diz que só há um consenso: como está, não dá. Mas sobre a ideia de acabar com os vices, por exemplo, ninguém se entende.

    Outro detalhe: Vicente Cândido (PT-SP) incluiu no pacote um item que prevê novas mudanças em 2020, pelo qual metade dos deputados seria eleita pelo sistema proporcional e a outra metade por uma lista indicada pelos partidos.

    Não cola. A ideia é refutada pela grande maioria.