Maitê Proença relembra: ‘Meu pai matou minha mãe com 16 facadas’

    A atriz participou da "Semana da Justiça pela Paz em Casa" em que refletiu sobre a necessidade de as vítimas buscarem por ajuda: "Tínhamos uma família perfeita"

    Foto: Reprodução/Instagram

    Maitê Proença relembrou, em sua participação na 8ª edição da “Semana da Justiça pela Paz em Casa”, a história de sua mãe – que foi assassinada com 16 facadas pelo próprio marido.

    De acordo com o jornal “O São Gonçalo”, que circula na Baixada Fluminense, ao contar sobre a tragédia familiar, a atriz destacou que a rotina deles não demonstrava que algo tão violento fosse ocorrer dentro de casa.

    “Não gosto de falar muito sobre isso. Tínhamos uma família perfeita, eu tocava vários instrumentos, praticava esportes e falava idiomas. Minha mãe tocava piano de cauda e meu pai, quando chegava em casa à noite, contava histórias e fábulas da mitologia, havia mágica. Depois da morte da minha mãe, ele foi morar em uma chácara e, mais tarde, morou em um manicômio. Eu perguntei a ele porque não atirou em minha mãe e ele disse que a faca era uma extensão do corpo dele”, revelou.

    Maitê falou ainda que, com medo de também ser morta pelo pai, deu depoimentos na Justiça que ajudaram a absolvê-lo. O crime aconteceu em 1970, quando ela tinha apenas 12 anos. “Eu acho que aquele homem não era um assassino. Ele tinha cometido aquele gesto de loucura que tinha destruído a nossa casa, mas não continuaria naquela prática. Essa grande violência acontece em uma escala, não acontece num rompante. A situação neurótica é que leva a isso. Acho que minha mãe não foi cautelosa, porque ela conhecia a pessoa rígida que era o meu pai. Faltou alguma coisa na forma de agir daquela família”, disse.

    Maitê Proença finalizou sua participação no evento afirmando que as vítimas precisam procurar por ajuda: “Quando acontece uma coisa, não é só a mãe que sofre, as outras vítimas também sofrem. A violência atinge a todos. Eu tinha dois irmãos, um se matou de tanto beber e o outro entrou para as drogas pesadas. Meu pai acabou se matando também. Então, quem sobrevive a isso, como no meu caso, passa a vida perguntando se tem valor. Por que eu não consegui impedir? Ninguém pensou na gente, naquela estrutura alegre, nada daquilo foi levado em conta”.