Ministro recebeu para enterrar Castelo de Areia, acusa Palocci

    O advogado José Diogo Bastos Neto, sobrinho de Márcio Thomaz Bastos disse que a família recebe a acusação com indignação

    Foto: Antonio Cruz/ ABr

    O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Cesar Asfor, recebeu R$ 5 milhões em propina para enterrar a Operação Castelo de Areia, segundo o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci. A propina teria partido da Camargo Corrêa.

    A investigação de 2009 tinha como alvo, além da construtora, outras empreiteiras e políticos que vieram a ser investigados na Lava Jato. De acordo com a Folha, Palocci disse que o acerto com Rocha foi comandado pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, morto em 2014.

    Havia também a promessa de apoio para que o magistrado fosse indicado a uma vaga no Supremo Tribunal Federal, o que não aconteceu. A Castelo de Areia foi interrompida por uma medida liminar concedida por Rocha, então presidente do STJ, em janeiro de 2010. A alegação dos advogados da Camargo Corrêa acolhida na época foi a de que as interceptações telefônicas da operação, principal base da operação, tiveram origem apenas em uma denúncia anônima, algo que seria ilegal.

    Segundo a Folha, o STJ informou que a decisão era inédita. Além disso, antes e depois da concessão da liminar, o ex-ministro decidiu pela validade de investigações iniciadas com denúncias anônimas. Conforme delatado por Palocci, o repasse para o ex-ministro foi feito por meio de depósito em uma conta no exterior. Em março de 2011, o julgamento final sobre a legalidade da operação começou a ser feito pela 6ª Turma do STJ, da qual Rocha não fazia parte.

    O advogado José Diogo Bastos Neto, sobrinho de Márcio Thomaz Bastos disse que a família recebe a acusação com indignação. “A afirmação é uma grande mentira, uma irresponsabilidade e até um ato de covardia, uma vez que ele não está mais entre nós”, disse. A defesa de Palocci não se pronunciou.